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Vício em crack e cocaína separa mães de seus bebês

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Muitas mães perdem a tutela de seus bebês por serem dependentes de drogas ilícitas como crack e cocaína. A dependência química durante o período de gestação pode causar inúmeros problemas ao bebê: o descolamento prematuro da placenta, o parto prematuro, anomalias congênitas, retardo do crescimento, baixo peso do recém-nascido e até morte neonatal.

Além dos riscos durante a gravidez, quando o bebê está em fase de amamentação, a mãe não pode amamentá-lo se estiver fazendo uso de crack ou cocaína.

Nos grandes centros esse fato é ainda mais alarmante. Um levantamento foi produzido pela Secretaria de Estado da Saúde na maior maternidade estadual do Brasil, a Leonor Mendes de Barros, em São Paulo.

Por causa do vício e da negligência dos cuidados, muitas mães não têm condições de manter a guarda da criança. Exemplo disso é que o hospital encaminhou 43 bebês em 2010, por meio do serviço social, para a Vara da Infância e Juventude.

Infelizmente estas mães já se encontram em grave situação de vulnerabilidade social, com rompimento dos laços familiares e comunitários, e até em situação de moradia de rua, como afirma o diretor da maternidade, Corintio Mariani Neto. E sem uma estrutura familiar adequada, a recuperação dessa mãe e a criação da criança ficarão muito mais difíceis. Então é essencial que as famílias não desistam delas.

Houve aumento progressivo no decorrer dos anos das crianças encaminhadas à Vara da Infância. Pois em 2007, por exemplo, houve apenas um caso. Já em 2008, subiu para 15. No ano seguinte foram 26 casos, o que representa um aumento de 73% se comparado ao anterior. Só no primeiro trimestre de 2011, o hospital registrou 14 casos de perda da tutela.

Cenário atual

Esse fluxo de atendimento levou a maternidade a realizar um estudo específico para diagnosticar os aspectos sociais que compõem o cenário de prejuízo materno em detrimento das drogas.

Com base na análise de 33 prontuários de pacientes, que deram entrada no período de um ano, foi observado que 64,5% das parturientes atendidas tinham idade entre 15 e 25 anos. A prevalência é de baixo nível de escolaridade (54,8% não completaram o Ensino Fundamental) e ausência de profissão estabelecida (61,3%).

Entre as drogas mais consumidas por esse grupo estão o crack (41,94%) e a cocaína (19,35%). Essa dependência química também atrapalha o acompanhamento médico das gestantes – 48,4% das pacientes não aderiram ao total de consultas de pré-natal oferecidas.

O estudo revelou ainda que 48% das mães têm companheiros também usuários de drogas, o que dificulta a tomada de decisão para o abandono das drogas e pela procura por tratamento.

Até 2012, a Secretaria irá dobrar o número de leitos de internação para dependentes químicos (álcool e drogas) em todo o Estado, que passará de 400 para 800. O acompanhamento ambulatorial é feito nos Caps Ad (Centros de Atenção Psicossocial – Álcool e Drogas) municipais.

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