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Saúde na ponta da rede

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Uma pesquisa divulgada pelo Instituto Ipsos e a London School of Economics revelou que, no Brasil, mais de 80% dos internautas recorrem à internet para saber mais sobre saúde, remédios e condições médicas. Esse comportamento mostra a existência de um novo perfil de pacientes, que agora estão mais interessados sobre tratamentos e diagnósticos. No entanto, o mesmo estudo apresenta um detalhe perigoso: só um quarto dos brasileiros verifica se a fonte de informações é confiável.

O internauta brasileiro, segundo o estudo, é o quinto do mundo em pesquisas sobre saúde na rede. Do total de 1.005 entrevistados, o estudo aponta que 68% realizam consultas sobre remédios, 45% sobre hospitais e 41% querem conhecer experiências de outros pacientes. Mas, afinal, como o acesso à informação facilitado pela tecnologia tem interferido na relação entre médico e paciente e para a construção do saber sobre saúde?

Pontos positivos e negativos
Para o médico clínico, plantonista em pronto-socorro e ambulatório, Jorge Parreira, a divulgação de informações sobre saúde na internet e mídias sociais interfere positivamente na relação entre médico e paciente. “O paciente está mais interessado e conhece melhor sua doença, o que antes não acontecia. Como o paciente não tinha acesso facilitado, ele recebia mais passivamente as informações”, compara o médico.

Dessa forma, Parreira acredita que esse novo hábito também aproxima o médico do paciente do ponto de vista científico, já que a pessoa que procura auxílio passa a ter informações para discutir o assunto com mais especificidade. “O que acontece, hoje, é que o paciente, já entendendo um pouco (ou muito) de sua patologia, passa a exigir uma resposta em mais alto nível do profissional médico”, destaca.

Mesmo com os reflexos positivos, também é preciso considerar que nem tudo o que está na rede é necessariamente correto. Como pondera o médico clínico-geral com prática ortomolecular, Telmo Diniz, é importante que o acesso às informações na internet e mídias sociais funcione como estratégia complementar e não como a única forma de buscar um diagnóstico correto. A pesquisa por informações, diz o médico, “é algo que deve ser feito antes e depois do diagnóstico médico, porém em fontes confiáveis, como sites acadêmicos e redes sociais de pessoas qualificadas”, observa.

A falta de checagem de informações é, justamente, o que preocupa na pesquisa sobre os internautas brasileiros. Os perigos da consulta em sites não confiáveis está, conforme Telmo, na prática da automedicação, além do estresse e ansiedade gerados pelas informações encontradas. “Mesmo que a informação seja encontrada em sites acadêmicos, não se deve fazer uso de automedicação”, aponta. No caso do estresse e ansiedade, o médico explica que podem acontecer preliminarmente, uma vez que a pessoa, ao ler uma determinada informação, pode acreditar, e sofrer com ela, mesmo sem ter certeza sobre o diagnóstico correto.

Tais fatores também podem ocorrer, segundo o especialista, quando os pacientes tentam interpretar exames com base em pesquisas, antes de retornar ao médico. Caso comum, tendo em vista que muitos laboratórios já permitem que os usuários recebam os exames em casa ou acessem pela internet.

O que o internauta procura
A pesquisa mostrou que além de consultar sobre medicamentos e patologias, o internauta brasileiro deseja muito saber sobre as experiências de outros pacientes. Isso pode ser acompanhado pelo destaque de alguns blogs na premiação Top Blogs, por exemplo, na qual blogs de Saúde com essas características foram contemplados.

O blog Ser Lesado, por exemplo, foi um dos mais votados pelo público em 2010. A página, atualizada por Leandro Portella, 29, tem como objetivo principal relatar vivências de tetraplegia, em função de uma lesão medular sofrida por ele. Para tentar facilitar sua adaptação e melhorar a qualidade de vida também do próximo, Portella oferece a troca de informações que podem ajudar familiares, profissionais da área e outros lesados.

Para atualizar o blog, o jovem, que só tem os movimentos dos ombros para cima, utiliza uma ferramenta de voz, o programa “Motrix“. Segundo o jovem, compartilhar informações sobre lesão medular tem sido muito bom. “Aprendo bastante com outros lesados e vejo que somos muitos”, aponta. Portella acredita que a rede esse é um meio muito acessível para buscar informação, mas faz uma ressalva: os pacientes não devem seguir dicas e informações ”sem orientação do profissional especializado”, reforça.

Com uma perspectiva mais abrangente, o Blog da Saúde aborda a saúde por diversos prismas. Ao criar o blog, informa a jornalista Paula Sanches, a ideia era “passar ao internauta informações sobre saúde e prevenção, dicas e notícias de Saúde no Brasil e no Mundo”. A equipe é formada por uma jornalista e 6 profissionais da área de saúde, sendo um médico, duas nutricionistas, um psicólogo, uma fisioterapeuta e uma assistente social. “Saúde, de forma geral, é um tema sempre de alta relevância e, por isso, requer muito cuidado com a forma a ser tratado. Afinal, interfere de forma direta na vida das pessoas”, destaca Paula.

Por isso, há um cuidado para obter mais informações junto a outros especialistas, tornando o trabalho um aprendizado diário, tanto para quem emite, como também para quem recebe a mensagem. Ainda assim, na rede, o gerente de marketing, Rodrigo Mazzola, deixa um alerta: “As pessoas não devem procurar o diagnóstico final para seus sintomas e nem procurar qual medicamento tomar pela rede”.

Credibilidade
Os internautas que querem ter acesso a informações sobre saúde na rede devem ser também criteriosos quanto aos sites consultados.  A Folha.com, em matéria divulgada em 22 de janeiro, por exemplo, listou alguns sites de referência que oferecem informações confiáveis sobre saúde. Para quem não abre mão, vale a pena consultar aqui.

Além dessas dicas, é importante lembrar que os materiais confiáveis disponibilizados na rede sempre apresentam fontes de referência e têm a preocupação de direcionar a pessoa a um profissional, caso ela precise de consulta ou exames.

*Fonte: Portal Minas Saúde

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