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Robôs operam câncer de próstata

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O câncer de próstata, um grande inimigo masculino, tem novo adversário. A utilização da cirurgia robótica em casos de câncer de próstata garante redução dos riscos operatórios e pós-operatórios.

A técnica que chegou ao Brasil há cerca de um ano já é empregada em 70-80% das cirurgias para tratamento deste câncer nos EUA. Ainda que a cirurgia com robôs tenha um custo mais elevado do que a tradicional, ela é minimamente invasiva e proporciona recuperação mais rápida do paciente.

Para falar mais sobre o método ainda pouco conhecido no país, um dos médicos brasileiros capazes de realizá-lo, o urologista Dr. Roberto Colombo Jr., explica para o Blog da Saúde o procedimento e seus benefícios. Confira a entrevista.

1. Em quais casos a cirurgia de próstata, num modo geral (tradicional ou robótica), é recomendada?
A cirurgia para retirada da próstata (prostatectomia radical) é indicada para pacientes com câncer de próstata localizado, isto é, um tumor que não apresenta metástases, e os pacientes devem apresentar uma expectativa de vida de cerca de 10 anos ou mais.

2. A cirurgia robótica pode ser feita tanto para tumores benignos como para malignos?
A cirurgia robótica está indicada nos casos de câncer, onde se retira a próstata inteira. Nos casos de cirurgia para hiperplasia prostática benigna (crescimento benigno da próstata) a cirurgia robótica ainda tem um papel limitado, pois a maioria dos procedimentos são realizados através da uretra (canal da urina).

3. Qual o procedimento da cirurgia robótica?
A cirurgia é realizada através de pequenas incisões (sem grandes cortes). O cirurgião tem uma visão ampliada e tridimensional, os instrumentos são articulados e com amplitude de movimentos superiores ao punho humano. O sistema também oferece um filtro de tremor, além de posição mais confortável para o cirurgião (melhor ergonomia).

4. O que a diferencia das cirurgias comuns e quais são seus benefícios?
Vantagens: menor morbidade para o paciente (menor sangramento, menos dor pós-operatória, menor tempo de internação), potencialmente oferece a chance de diminuir a possibilidade do paciente apresentar disfunção erétil e incontinência (em cirurgia para câncer de próstata). Desvantagens: o custo ainda é maior do que a cirurgia convencional.

5. Há contra-indicações?
Não há nenhuma contra indicação específica para a cirurgia robótica, e sim, para a realização de qualquer cirurgia de médio porte, tal qual, falta de condições clínicas, existência de câncer metastático, etc.

6. Após passar por uma cirurgia tradicional, o paciente poderá ter uma vida sexual ativa? E no caso da cirurgia robótica?
No caso específico da prostatectomia radical (tratamento do câncer de próstata) as maiores complicações são: disfunção erétil, incontinência urinária, sangramento intra-operatório. Estas podem ocorrer qualquer que seja o acesso cirúrgico: aberto, laparoscópico e mesmo robótico. A maior precisão durante o procedimento robótico oferece a chance do cirurgião realizar uma preservação dos nervos responsáveis pela ereção. É importante frisar que a recuperação da função erétil após a cirurgia é afetada por vários fatores, como diabetes, obesidade, hipertensão, coronariopatia, idade. De todas as variáveis envolvidas, a técnica cirúrgica é a única que pode ser alterada pelo médico, devendo este fazer a cirurgia de maneira mais precisa e delicada possível.

7. Como está o número de adeptos à nova cirurgia? Por que ainda há resistência?
Existe uma desinformação por parte dos pacientes, que não tem acesso a informações a respeito deste procedimento, além do custo ser maior do que os custos da cirurgia convencional. A “resistência” que existe por parte da comunidade médica ocorre, como sempre ocorreu e irá sempre acontecer, por cirurgiões que não estão habilitados em realizar a cirurgia com o equipamento. Normalmente, os cirurgiões com mais idade “ou mais experiência” lideram o movimento antagônico a qualquer procedimento que os mesmos não dominem, portanto é comum eles passarem informações para os pacientes como “ainda é experimental”, “no Brasil não há médicos com experiência”, etc.

2 COMENTÁRIOS

  1. Eu tenho cancer de prostata 3×3. Descobri ano passado, quando era 2×2 e os médicos da Bahia me orientaram que a princípio não devia me preocupar que o controle se daria através do PSA.

    Resolvi procurar uma oncologista que prescreveu orientação contraria. Deveria operar.

    Estou em dúvida quanto ao método e queria saber o custo da cirurgia robótica e qual hospital vocês poderiam me indicar.

    Aguardo retorno

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