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Remédio para leucemia aguda só tem estoque para seis meses

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O tratamento para a leucemia linfoide aguda –principal leucemia da infância e que afeta também os adultos– pode ficar comprometido pela falta de um medicamento sem substituto no mercado brasileiro. O risco potencial é reduzir a sobrevida de 3.000 pessoas que se tratam dessa leucemia no país por ano. A doença na criança tem índices de cura que se aproximam de 90%

Em dezembro, a empresa brasileira que comercializa o Elspar (L-asparaginase), o laboratório Bagó, avisou os médicos que o fabricante estrangeiro encerrou a produção.

A empresa afirma ter estoque para seis meses. Até lá, espera encontrar outro fabricante e iniciar o registro junto à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

“Já fui à Índia, à Europa e vou à China na semana que vem. Mas não encontro fabricantes adequados à nossa legislação”, diz Soraia Morais, diretora técnica da Bagó.

Apesar do estoque, já há dificuldade de encontrar o Elspar. Um hospital em Passo Fundo (RS), por exemplo, tem três doses disponíveis, o que já não atenderia o tratamento de duas crianças acompanhadas no centro. A falta da L-asparaginase faz parte de um problema maior: mundialmente há o risco de desabastecimento de remédios, o que já mobilizou até o presidente americano Barack Obama, segundo Cláudio Galvão de Castro Junior, hematologista do hospital Albert Einstein.

“São drogas altamente eficazes, mas que, por serem baratas e terem nicho de mercado pequeno, estão deixando de ser produzidas.” A dose da asparaginase não chega a custar R$ 100.

TRAGÉDIA

A eventual falta da asparaginase é vista por especialistas como “uma tragédia”.

“Seria retroceder 15 anos. A asparaginase é impar e insubstituível”, diz Silvia Brandalise, presidente do Centro Infantil Boldrini.

Por ano, o centro atende cem novos casos dessa leucemia. A maior parte dos doentes tem entre quatro e seis anos.

Uma das pequenas pacientes é Naomi, 2. A mãe da menina, Iole Shirasawa, conta que ouviu da médica sobre a possível falta de estoque. “A gente fica preocupada, ela necessita dessa medicação. Ela e tantas outras crianças.”

Uma saída emergencial para evitar a falta do remédio é o hospital importar o produto diretamente de fornecedores no exterior, mesmo sem o registro na Anvisa, afirma Carla Macedo, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica.

O Ministério da Saúde informou que abrirá, na próxima semana, um chamamento para que laboratórios apresentem, em caráter de urgência, uma alternativa para atender a demanda nacional. Em caso de emergência, segundo o ministério, deverá ser importado o medicamento similar disponível.

Fonte: Folha de S. Paulo

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