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Para algumas mulheres, tamanho da vagina é “documento”

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O homem sempre associou a ideia de virilidade com o tamanho do pênis, desde criança. Esse comportamento, até então exclusivo do sexo masculino, parece ter virado a cabeça de algumas mulheres.

O que era para ser uma intervenção cirúrgica de correção em alguns casos de deformidade virou moda e uma nova mania: a plástica na vagina. O tema é muito polêmico e ganhou repercussão nos jornais impressos e mídias online pelos números crescentes de procura nos consultórios médicos.

Segundo dados divulgados na Folha de SP, no Brasil, médicos apontam um crescimento de 50% nas cirurgias íntimas nos últimos dois anos. Um ginecologista entrevistado pelo jornal afirmou realizar 900 operações por ano, outro declarou fazer 15 por mês.

Quando se lê uma notícia dessas, muitas perguntas vêm à cabeça… Como: existe um “padrão de vagina”?

Não havia essa ideia de virilidade feminina, associada ao órgão em si. Diversos ginecologistas defendem que não existe “vagina normal” ou “vagina padrão”, isso é muito subjetivo. A diversidade de tamanhos nos lábios vaginais é imensa, o que derruba a ideia de criar um padrão de beleza para o órgão.

“Cirurgias íntimas são vendidas como soluções para dificuldades sexuais, mas, se você mexer onde não era para mexer, piora o que era para melhorar” – Gerson Lopes, ginecologista e sexólogo, em entrevista à Folha.

Os riscos da cirurgia íntima incluem redução da sensibilidade e, em casos raros, fibrose.

Será que estamos em um estágio estético fora de controle?

Opinião do psiquiatra Dr. Deyvis Rocha

Na sua visão, como o ser humano lida com os padrões de imagem? Isso está cada vez mais ligado à “cabeça” do que qualquer outra parte do corpo?

“Nós vivemos em uma sociedade cada vez mais materialista, sendo a juventude e a beleza os grandes ideais modernos. Neste mundo, a aparência está ligada ao sucesso e o bombardeio midiático da beleza, em fotos e em filmes de pessoas lindas, nos permite crer que a felicidade será certa se ficarmos parecidos com essas pessoas. É claro que a preocupação da sociedade com a aparência física tem muito a ver com os avanços das cirurgias cosméticas e à sua capacidade de mudar, corrigir, diminuir, preencher e mexer de todas as maneiras no corpo humano. É mesmo possível que uma pessoa altere toda a sua imagem com os procedimentos cirúrgicos.

No entanto, a psiquiatria há muito tempo já identificou que algumas pessoas têm uma imagem do seu próprio corpo bem diversa do que é a sua real imagem. Essa alteração é o cerne de algumas patologias mentais, como a anorexia nervosa e o transtorno dismórfico corporal, em que a pessoa não consegue parar de pensar que tenha algum defeito em sua aparência, em geral mínima ou imaginada, o que a leva a recorrer a intervenções cosméticas para corrigir o defeito. Pode ser uma correção no nariz, nos lábios, no abdome ou na vagina. Ainda que nem todas as pessoas que se submetem a esses procedimentos pouco usuais tenham o transtorno dismórfico corporal, isso revela a preponderância da nossa “cabeça” como a real causadora de insatisfação com a aparência.

Certamente, não será uma intervenção na superfície corporal que vai conseguir lidar com as raízes mentais profundas desse descontentamento. O ideal seria que essas pessoas procurassem tratamento psicoterápico para lidar com os seus sentimentos de inadequação”.

Mas, afinal, onde as mulheres estão buscando essa imagem de “vagina perfeita”?

Os rostos bonitos e os corpos magros, malhados ou esculturais estão espalhados nas capas de revista, nos filmes, nas novelas e nas propagandas de cerveja. Não é difícil imaginar de onde surge o padrão de beleza feminino mundial. Entretanto, as vaginas estão restritas a algumas revistas masculinas e ao cinema pornô. Será que as mulheres estão dando mais atenção a essas mídias do que a gente pensa?

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