Início Saúde Física Estudo aponta hormônio que diminui dores e incômodos da endometriose

Estudo aponta hormônio que diminui dores e incômodos da endometriose

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O Presidente da Liga Europeia de Endometriose e da Sociedade Alemã de Ginecologia Endoscópica, Hans-Rudolf Tinneberg, falou sobre o uso do hormônio dienogeste e  a descoberta de seus benefícios no tratamento da endometriose durante o último Congresso Mundial da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (Figo), em Roma, na Itália. “Em endometriose, é importante pensar no tamanho da lesão, tempo de instalação da doença e nos efeitos causados na qualidade de vida da mulher. Nos estudos realizados com o dienogeste, percebemos importante redução, de 38% para 4%, no sangramento prolongado das mulheres, alívio da dor, melhor função física, funcionamento social e saúde mental”, revela.

Sobre os efeitos colaterais gerados por esse hormônio, ele diz que foram percebidas dores de cabeça e nas mamas, que são típicas das progestinas. “Um dado a se comemorar é que o dienogeste eliminou os vômitos, e mais relevante ainda, não alterou em nada a densidade mineral óssea das mulheres. Efeitos colaterais comuns em pacientes em uso de acetato de leuprolida”, destaca.

Os tratamentos existentes para endometriose são os análogos do hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH), damazol, acetato de leuprolida e o dienogeste. Esse último, o mais recente deles, esteve em estudo desde 2002 e animou os ginecologistas. “Temos percebido uma variedade de benefícios. O damazol tem muitos efeitos colaterais; proporciona aumento de peso, espinha, mau humor, mas principalmente efeitos que masculinizam a mulher. O análogo do GnRH coloca a mulher em estado de menopausa. Então ela passa a ter todos os sintomas, como ondas de calor, secura vaginal, insônia, a mama diminui de tamanho. E é um tratamento que não pode ser longo, deve ser ministrado no máximo por seis meses, pois a mulher tem perda de massa óssea e até problemas de coração”, detalha o ginecologista Marco Tulio Vaintraub.

Vaintraub explica ainda que o dienogeste também é uma progesterona, mas tem ação anti-inflamatória considerável, diminuindo bastante a dor e os incômodos da endometriose. “Ele não é muito forte, tem uma quantidade de substâncias apenas suficiente para baixar o nível de estradiol e não deixar o endométrio crescer. Com isso, pode ser usado por anos. Outra fator fundamental é o valor. Ele custa um terço do tratamento dos hormônios análogos”, garante. O dienogeste custa por volta de R$ 150 e os análogos até R$ 500.

Entenda a endometriose: A menstruação é uma descamação do endométrio (membrana que reveste a cavidade do útero e o prepara mensalmente para uma gravidez), acompanhada da saída de sangue. Em algumas mulheres, entretanto, parte do sangue não sai pelo canal cervical. Na verdade, volta pelas trompas e acaba chegando à cavidade pélvica e abdominal, dando início à doença. Esse processo é conhecido como refluxo tubário ou menstruação retrógrada. Existem ainda teorias que defendem que a mulher nasceria com os focos de endometriose, desenvolvendo-os ao atingir a maturidade. Ou que ela poderia ser desencadeada em cirurgias, caso parte do endométrio vazasse para fora do útero.

Além do tratamento com hormônio, há o tratamento com laparoscopia – um exame anatopatológico com anestesia geral em que o médico usa o laparoscópio, um longo tubo, rígido ou flexível, com sistema de lentes e fonte luminosa, para visualizar o lado externo dos órgãos, como já cauterizar os focos de endometriose que forem encontrados.

Com informações do Estado de Minas

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