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Dor durante a relação sexual é normal?

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A dor durante a relação sexual é o indício de que algo não está certo. A fisioterapeuta e educadora sexual Débora Pádua foi entrevistada pelo Blog da Saúde para tirar todas as dúvidas sobre o assunto.

 

BLOG DA SAÚDE – O que é Dispareunia?

DÉBORA PÁDUA – Dispareunia é classificada como dor na relação sexual. Ou seja, não é normal sentir nenhum tipo de dor no ato sexual.

BS – Quais são as infecções que podem gerar dor durante/após a relação sexual? Quais os tratamentos indicados?

DP – Qualquer tipo de infecção pode apresentar desconforto na relação sexual. O ideal é procurar um ginecologista quando a dor aparecer e verificar se existe algo de errado com seu canal vaginal e urinário. Depois de descartar qualquer alteração orgânica, você poderá procurar um fisioterapeuta sexual para avaliar uma possível disfunção dos músculos do assoalho pélvico e fazer um tratamento, caso a dor persista.

BS – O que é vaginismo? Por quais motivos ocorre e quais são os tratamentos?

DP – Vaginismo são espasmos musculares, ou seja, contrações dos músculos do assoalho pélvico durante a tentativa de penetração do pênis. Ela pode ser primária, onde não se consegue ter penetração desde a primeira tentativa, ou secundária, quando a mulher tem vida sexual normal e passa a sentir dor e, com o tempo, deixa de ter penetração com o parceiro, pois os músculos enrijecem de tal forma que em muitos casos não se entra nem um “cotonete”.

BS – Por que e por quais motivos as dores durante a relação acontecem?

DP – O primeiro motivo que devemos investigar é o orgânico, ou seja, infecções por bactérias, fungos, micoses. Para isso, é necessária a avaliação de um médico. Caso seja encontrado nada, passamos a buscar alterações psicológicas, como o medo da penetração, medo de engravidar, exame ginecológico mal sucedido…

Estes medos podem provocar alterações musculares, onde a mulher mantém uma grande contração e em muitos casos não consegue realizar o relaxamento para que a penetração ocorra.

BS – A má lubrificação colabora para a dor?

DP – Muito. Quando uma mulher não esta excitada, a lubrificação fica menor e aumenta o atrito do pênis com o canal vaginal provocando dor e incomodo.

Um lubrificante a base de água pode ser usado amenizando a dor, mas não resolve o problema.

BS – As preliminares ajudam na lubrificação? Por que?

DP – Sim, pois as preliminares fazem com que a mulher fique excitada produzindo mais lubrificação para ajudar o pênis a deslizar para dentro do canal vaginal sem provocar dor ou desconforto.

BS – A ereção feminina é uma forma de saber que a penetração “pode” ocorrer? Como saber o momento certo (lubrificação, ereção…)?

DP – Muitos estudiosos acreditam que o clitóris apresenta uma ereção muito parecida com o pênis, mas, mesmo que isso seja verdade, no momento da relação é difícil a visualização. Portanto, a lubrificação é a forma mais fácil de perceber se é o momento da penetração. Mas outras mudanças importantes acontecem neste momento, como a distensão do canal vaginal, alteração do posicionamento do útero, tudo é modificado para o corpo receber o pênis de forma agradável. O ideal é que a mulher fique o mais excitada possível, para que estas mudanças aconteçam e, somente depois, a penetração ocorra.

BS – Como distinguir as dores de cada causa?

DP – Quando se tem dor na relação é necessário prestar atenção ao próprio corpo, se não existe algum tipo de secreção diferente, olhar a coloração da vagina, você pode tocar dentro do seu canal vaginal com o intuito de buscar um local dolorido, prestar atenção durante a relação onde, quando e qual a intensidade da sua dor.

Depois de todas estas observações, procure um médico para realizar os exames necessários.

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