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Críticas, protestos e manifestações populares foram os maiores resultados da Rio+20

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Índios protestaram. Mulheres protestaram. Homens protestaram. ONGs, sindicatos, cientistas, ex-chefes de Estados e muitos outros protestaram contra o documento da Rio+20. Responsável por estabelecer um plano ambicioso para várias questões do mundo atual, como o desenvolvimento sustentável, o texto produzido na conferência não satisfez muitos dos ambientalistas e das organizações. Estes, por sua vez, levaram suas críticas às ruas.

Foram diversas manifestações, desde mulheres desfilando topless até uma carta endereçada ao secretário geral da ONU intitulada “A Rio+20 que Não Queremos” (um jogo de palavras com o documento final da conferência que tem o nome “O Futuro que Queremos”).

Na carta estão presentes as críticas feitas pelas ONGs ao documento da Rio+20, entre elas:

Oceanos: não saiu a decisão de lançar um acordo para proteger o alto-mar, como esperado; decisão foi adiada por pressão dos EUA e Venezuela.
Economia Verde: Não há um “mapa do caminho” claro indicando como será feita a transição para uma economia sustentável; caiu do texto por pressão do G77.
Mulheres: A menção aos direitos reprodutivos femininos foi cortada do texto por pressão do Vaticano, do Chile e de países árabes.
Dinheiro: não há compromisso financeiro para financiar as ações de desenvolvimento sustentável. O documento não pede claramente o fim dos subsídios aos combustíveis fósseis.

O documento final tem 49 páginas e é dividido em seis capítulos e 283 itens. Os aspectos sociais são destacados, ressaltando o esforço conjunto para a erradicação da pobreza, a melhoria na qualidade de vida e o homem no centro das preocupações. Os capítulos mais relevantes são os que tratam de financiamentos e meios de implementação (relacionados às metas e compromissos que devem ser cumpridos).

Segundo notícia da Band, os temas polêmicos e sem consenso ficarão para uma próxima cúpula, ou seja, estão sendo “empurrados com a barriga” pelos líderes políticos da Rio+20.

A população não está deixando barato as decisões inconclusivas e a má liderança que foi vista na conferência, como pudemos observar. Para Eduardo Felipe Matias, especialista em direito internacional e sustentabilidade que acompanhou as atividades da cúpula, o Estado merece “um puxão de orelha” pelo seu desempenho.

Os Estados merecem um puxão de orelha pela incapacidade de estabelecer metas e assumir compromissos claros, depois de tanta discussão. Desde muito cedo, ficou claro para todos que não se podia esperar grande coisa dos governos na Rio+20. O rascunho de declaração que deverá ser aprovado amanhã reflete essa realidade. Mas é importante que o consenso sobre a importância dos outros atores [como empresas e ONGs] na busca do desenvolvimento sustentável não leve os Estados a serem menos cobrados. Eles precisam ser pressionados para assumir a sua responsabilidade nesse processo.

Imagem: Folha de São Paulo

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