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Briga no banheiro: Toalhas de papel X Secadores de ar quente

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O ato de limpar as mãos é simples, certo? Basta lavar cuidadosamente com água e sabão. Mas na hora de secar…

Qual sua preferência: toalha de papel ou secador de ar? Calma! Antes de decidir, alguns pontos devem ser considerados.

SAÚDE

Como as bactérias se proliferam nas mãos molhadas, o método que remove mais umidade deve, teoricamente, ser mais eficaz. No entanto, alguns estudos sugerem a interferência de outros fatores.

Pesquisas têm demonstrado que os secadores de ar convencionais, aqueles encontrados em shoppings, bares e restaurantes, por exemplo, são áreas de reprodução de bactérias que contaminam as mãos e dispersam os germes pelo ambiente.

Isso vale também para os modelos mais recentes, com sistemas de jato de ar em que os usuários colocam as mãos em um recipiente enquanto o ar dispara rapidamente.

Mas atenção! Esses estudos podem apresentar um conflito de interesses: o financiamento da indústria do papel.

No ano 2000, a Clínica Mayo conduziu um dos poucos estudos independentes sobre a questão. Os pesquisadores recrutaram cem pessoas, contaminaram suas mãos e, em seguida, lhes instruíram a lavá-las com água e sabão.

Depois, pediram que passassem as mãos sob um secador de ar quente durante 30 segundos ou utilizassem um pano ou toalha de papel descartável por 15 segundos.

Os resultados

No final, os cientistas observaram um empate. Os dois métodos secaram bem as mãos e produziram reduções equivalentes de bactérias.

A melhor evidência disponível, no entanto, indica que o método de secagem é menos importante quando comparado com o tempo investido na eliminação dos germes: ou seja, quanto mais tempo, melhor para sua saúde!

JÁ QUANDO O ASSUNTO É O MEIO AMBIENTE…

Ambos possuem suas vantagens e desvantagens. Tanto as toalhas de papel quanto os secadores têm um custo ambiental. De um lado as árvores desmatadas, de outro o consumo de energia e a produção do equipamento. Vamos as contas.

O papel

O papel toalha pode ser de celulose virgem, que vem de floresta de reflorestamento. A vantagem é que uma árvore nova consome muito gás carbônico (CO2) e libera quantidades elevadas de oxigênio para crescer, ao contrário de uma árvore mais antiga.

No entanto, no Brasil ainda existe certa dificuldade em saber a origem exata da matéria-prima – mesmo que seja a minoria dos fornecedores – uma vez que temos problemas com o corte ilegal e o desflorestamento.

Há também o papel toalha reciclado…e neste caso, vale uma observação.

De acordo com Sidney Valeije, diretor de descartáveis da Associação Brasileira do Mercado Institucional de Limpeza (Abralimp), o processo para a produção de papel toalha reciclado usa muitos materiais químicos, que podem poluir mais do que a fabricação de outro papel qualquer.

Além disso, sem saber sua origem, muitas vezes o papel reciclado tem mais risco de contaminação e gera mais consumo, já que pode vir papéis que não são feitos para absorver direito.

Tanto um quanto o outro gastam em transporte…Aliás, a maior parte da madeira usada nas grandes capitais brasileiras vem de florestas do Norte ou Centro-Oeste.

No caso do papel toalha, vale lembrar também que poucos são aqueles que respeitam a recomendação do uso de uma ou duas folhas de papel e acabam usando três, quatro ou quantas acharem necessário.

Secadores

Pesquisas indicam que o secador de mãos é mais eficiente do ponto de vista sustentável e de custos, mesmo utilizando a energia elétrica. A maioria utiliza, aproximadamente, 2.200 watts de energia quando ligados, e 2 watts quando estão em stand by.

Ao secar as mãos durante 30 segundos, serão consumidos 0.018 kWh de eletricidade. Fazer isso três vezes ao dia, durante um ano, consumirá 19.71 kWh, que responde por 12 quilos de emissões de dióxidos de carbono.

Parece muito?

Embora os dados de consumo de energia, produção dos materiais e transporte do produto vão contra aos secadores de mãos, eles ganham graças à durabilidade e à falta de manutenção. Estima-se que um produto desses tem uma vida útil de sete a dez anos.

Segundo a fabricante americana World Dryer, durante seu ciclo de vida – que em média é de 10 anos -, o secador emite 3 toneladas de CO2 a menos do que a produção de papel toalha, se usado proporcionalmente.

São 1,6 toneladas liberadas pelo aparelho contra 4,6 toneladas do papel.

CONVIVÊNCIA

O assunto é polêmico e novas pesquisas vão surgir sempre. A questão é que, independente dos resultados, os dois podem (e devem) conviver.

Por exemplo, em um aeroporto ou no trabalho, o usuário precisa escovar os dentes ou secar o rosto…difícil fazer isso com o secador de ar, não? Vai demorar e o resultado talvez não seja assim tão bom!

Por isso, o mais sensato é manter os dois. Cabe, no entanto, aos usuários utilizá-los com consciência e moderação. O meio ambiente agradece!

*Com informações do jornal The New York Times, revista Galileu e Planeta Sustentável.

5 COMENTÁRIOS

  1. olá, no Brasil 100% do papel produzido é proveniente de florestas plantadas, principalmente de eucalipto! É um dos países que mais ganha mercado no mundo justamente por conta disso, quase todas as industrias tem áreas certificadas pelo FSC, senão nem poderiam vender seus produtos (celulose de mercado) para o exterior. Sua informação sobre desconfiança sobre origem da madeira não é correta, pois esse é um dos poucos setores no Brasil que dá pra confiar sobre a origem da madeira. Até porque para fazer celulose vc tem que usar árvores identicas e com as mesmas quantidades de lignina, celulose, etc na máquina, senão a produção seria desigual e não daria qualidade suficiente para exportação e mesmo consumo interno. Cheque nas embalagens de papel toalha e procure por materia prima fibra certificada.

  2. Uma grande matéria, quanto a comparação existem secadores projetados com tecnologia que consumem bem menos (cerca de 1600Wts ) e que tem poder de secagem superior a muitos do mercado, com isso abrindo ainda mais na vantagem encima do papel toalha, que além de causar o desmatamento para a produção vem em consequência a poluição no descarte dos papeis toalhas que na grande maioria das vezes são efetuados dentro de sacos plasticos que se acumulam em lixões.

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