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A vida do paciente com Esclerose Múltipla

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A Esclerose Múltipla, ao contrário do que muitas pessoas pensam, não é uma doença degenerativa, como o Alzheimer e a Esclerose Lateral Amiotrófica. Ainda não há uma cura, mas diversos tratamentos já estão disponíveis.

Os pacientes diagnosticados com este mal conseguem levar uma vida normal e continuar a executar as mesmas tarefas de sempre. Contudo, é preciso procurar um profissional e iniciar o tratamento, assim como fez a paciente Márcia Denardin, 44 anos, que descobriu a doença há 10 anos. “Seis meses após o nascimento do meu 4° filho, comecei a sentir uma dor na coluna, fraqueza e fadiga extrema que duraram meses”, conta.

Os sintomas iniciais não são os mesmos para todos, “a Neurite óptica (perda da visão), alterações sensitivas (adormecimento das regiões corpóreas) e o comprometimento motor (paralisia de um ou mais membros) são os sintomas mais frequentes e eles têm duração de até 24 horas”, explica o especialista Charles Peter Tilbery, professor titular de Neurologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e coordenador do CATEM (Centro de Atendimento e Tratamento da Esclerose Múltipla).

Por serem sintomas de curta duração, muitas pessoas deixam de ir ao médico. “Este fato leva os pacientes a negligenciaram os sintomas, retardando o diagnóstico”, conclui Prof. Tilbery. No caso da Márcia, o resultado demorou, “foi muito difícil. Foram vários médicos, diversos exames e muito tempo”. Ela passou por dificuldades, como usar cadeira de rodas, muletas e bengala, “vivia dependente de outra pessoa e com a incerteza do dia seguinte”.

A demora pelo diagnóstico deve-se pelo fato de ser um desafio, mesmo para os médicos experientes, por não haver um quadro clínico ou marcadores biológicos característicos. A Esclerose Múltipla, após descoberta, não tem uma cura, mas há tratamentos. “Passei por praticamente todos os medicamentos disponíveis para esclerose e os injetáveis foram muito difíceis”, conta Márcia, que seguiu o conselho do médico e começou a fazer uso da medicação via oral. “Utilizo desde junho do ano passado e, desde então, estou sem sintomas, sem reações, com muita vida, alegria, liberdade, disposição e bom humor”, afirma.

Em tratamento há 9 anos, Márcia segue a sua vida normalmente, assim como os outros pacientes. “Devemos ressaltar que nos últimos 20 anos, a Esclerose Múltipla deixou de ser um desastre para portadores, afinal, há inúmeros medicamentos disponíveis”, esclarece Prof. Tilbery. “Os tratamentos estão avançando rapidamente e as opções são muitas. No meu caso, o Fingolimode devolveu a minha vida e a mãe dos meus filhos”, comenta Márcia.

Apesar de todo o sofrimento que passou, desde a demora do diagnóstico até o tratamento dar resultado, Márcia jura que a sua vida é infinitamente melhor agora do que antes do diagnóstico.  “No início sempre será difícil, o diagnóstico de uma doença neurológica sem cura e com um prognóstico difícil, não é fácil pra ninguém”, e complementa, “Mas pra quem esteve em uma cadeira de rodas e hoje dirige na estrada, joga bola com as crianças, dança num show do Sambô a madrugada toda, voltou para o trabalho e ainda usa salto, só posso dizer que tudo é possível e temos que acreditar”.

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