22°C | Sao Paulo, São Paulo | 11 / 02 / 2012
Ocultar

Profissão: Saltador de trampolim

Sabemos que já passou o tempo em que o emprego atual seria o mesmo em que nos aposentaríamos. Se há tempos atrás permanecer por muitos anos na empresa foi motivo de orgulho, nos dias atuais leva vantagem aquele que acumula experiência em culturas empresariais diversas durante a carreira.

Uma peculiaridade, no entanto, merece atenção especial quando tratamos deste assunto. Na busca por melhores oportunidades alguns profissionais deixam de dedicar tempo e interesse ao trabalho atual e partem para uma busca desenfreada por melhores cargos e salários.

É preciso muita cautela  para não cair no chamado “efeito trampolim”, que na maioria das vezes além de não ser bem visto por profissionais de Recursos Humanos interfere na própria configuração de carreira do profissional. Não podemos esquecer que tempo e dinheiro  são investidos no candidato contratado.

Para falar sobre o assunto e esclarecer algumas dúvidas, tanto para candidatos como para contratantes ouvimos Eliane Figueiredo, diretora-presidente da Projeto RH, empresa especializada em Gestão de Pessoas. Confira!

eliane_figueiredo

Eliane Figueiredo - Diretora da Projeto RH

1) Por que atualmente os profissionais não permanecem mais do que dois anos nas instituições?
Em primeiro lugar, acho que essa afirmativa é apenas parcialmente verdadeira. Com certeza, existe uma tendência de as pessoas permanecerem menos tempo nas organizações hoje do que há algum tempo atrás, mas não podemos dizer que as pessoas permanecem apenas dois anos nas instituições. Podemos abordar essa questão sob três ângulos:

a) Do mercado - Por exemplo, eventuais oscilações e crises, como a que ocorreu no final de 2008, implicam em muitos desligamentos de profissionais, que em outros momentos não ocorreriam.

b) Das empresas - Hoje a pressão por resultados é muito grande e não se espera o mesmo tempo que antigamente para o profissional atingir as metas e objetivos esperados. Hoje as empresas tendem a investir em treinamentos mais enxutos e que realmente tragam resultados rapidamente. Por exemplo: há alguns anos, havia programas de trainee que previam cerca de dois anos para a formação do profissional, antes dele assumir uma posição efetiva na empresa. Hoje em dia, esses programas são muito mais curtos, com uma média de seis meses a um ano entre parte teórica e treinamento on de job e o profissional já é envolvido em projetos nos quais tem que apresentar resultados.

c) Dos profissionais - Existem várias pesquisas que apontam que os jovens  (gerações Y e X) hoje buscam desafios e oportunidades de desenvolvimento, procurando observar as condições para uma boa qualidade de vida. Quando não encontram tais condições e possibilidades e, eventualmente, se sentem subaproveitados ou pouco desafiados, buscam outras oportunidades no mercado.

2) Em que momento as mudanças rápidas de emprego prejudicam a carreira? Qual a visão do RH sobre este aspecto?
Penso que essas mudanças prejudicam a carreira quando as trocas se tornam excessivas. Avalio que para uma pessoa poder se absorver a cultura de uma empresa é necessário, pelo menos, de seis meses a um ano. Depois desse período, os resultados são mais efetivos. Percebemos que há pessoas que acabam sendo “impacientes demais” e, na primeira ou segunda contrariedade se desmotivam e começam a buscar outras oportunidades, esquecendo-se que faz parte do dia a dia enfrentar adversidades e buscar soluções. Com certeza, um profissional sempre sai mais maduro e preparado depois de resolver um problema.

3) Existe algo que as empresas possam fazer para reter e cativar os talentos contratados?
Sim. Não só podem, como devem. Sem dúvidas, oferecer um ambiente que propicie um clima agradável, faz muita diferença. Além disso, é importante proporcionar a possibilidade de uma aprendizagem contínua, em que o profissional possa perceber que está contribuindo efetivamente para os resultados da empresa. Oportunidades de carreira também são essenciais. 

4) Que aspectos devem ser levados em consideração pelo profissional ao receber uma proposta atraente de emprego tendo sido contratado recentemente?
Penso que o profissional deve analisar a empresa, principalmente antes de ser contratado. É necessário refletir se a cultura, os valores e as políticas da empresa vão ao encontro de seus valores e do que ele busca em termos de possibilidade de aprendizagem e de desenvolvimento.

5) Ao sair de um emprego para outro é saudável expor as razões que o levaram a tomar tal decisão?   
Se forem motivos objetivos, concretos, com certeza devem ser abordados, pois ajudará a empresa a conhecer melhor o profissional e suas motivações. Por outro lado, caso sejam motivos que envolvam dados confidenciais da empresa ou questões éticas, penso que não deveriam ser colocados.

“Contenha seus impulsos, tome uma dose diária de paciência, tenha firme em sua mente qual é o seu propósito profissional e onde você quer chegar. Agindo assim certamente
não haverá obstáculos que você não supere para alcançar o sucesso!”

Email This Post Email This Post