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Otimismo e Cura – Uma receita de sucesso!


“Peguem sua taça, encham-na com espumante e comemorem comigo…
Nunca percam as esperanças, afinal em determinados casos, é tudo o que lhe resta…”

As linhas acima foram escritas pelo Analista de Sistemas Tadeu Nogueira, 23, que você terá oportunidade de conhecer melhor em breve. Hoje o Blog da Saúde convida você a experimentar o otimismo. O já conhecido jargão “Somos brasileiros e não desistimos nunca” poderia, e por que não, deveria fazer parte de nossa rotina. Não como sátira, mas como vontade de seguir adiante, superar os problemas e vencer os desafios. Infelizmente em alguns momentos manter a visão otimista parece não ser tão fácil assim, mas, talvez se você se esforçar e acreditar que em sua vida momentos bons estão reservados a solução sempre aparecerá.

Antes que você pense que vamos falar de autoajuda ou coisa parecida, estudos científicos já comprovam a eficácia dos bons pensamentos. Na Universidade de Pittsburg, EUA, uma pesquisa confirmou que pessoas mais esperançosas apresentam chance 9% menor de desenvolver problemas cardíacos e 14% menos chance de morrer por qualquer outra doença.

Como tudo na vida, ser otimista requer uma dose de boa vontade aliada ao equilíbrio, afinal manter um pensamento positivo e uma visão otimista da vida não significa sair à rua abraçando postes ou ignorar os riscos e fracassos em sua rotina.

Os dois lados da moeda
Para fugirmos do estigma de que “falar é muito fácil”  buscamos as duas faces da mesma moeda quando o assunto é otimismo na recuperação de pacientes. Acompanhe.

Bruna e Tadeu - Arquivo Pessoal

Bruna e Tadeu - Arquivo Pessoal

O lado de quem sente e cuida

Entrevistados: Bruna Souza e Tadeu Nogueira
Ela: 20 anos, é a namorada, amiga e anjo da guarda do Tadeu.
Ele: 23 anos, Analista de Sistemas e namorado da Bruna.
Há cerca de um ano e dois meses foi diagnosticado com
“Linfoma difuso de grandes células B”. 

 

  

 1) Quando receberam o diagnóstico qual foi a primeira sensação?
Bruna:
A primeira sensação é sempre a pior, mas é sempre a que não conseguimos definir muito bem, pois ela vem acompanhada de muitos sentimentos misturados e todos de uma vez: o choque, o medo e a tristeza vêm junto com as dúvidas, que geram um conflito emocional muito grande.Para ser sincera, o período da ‘primeira sensação’ foi muito curto, depois de certo desespero inicial conversamos bastante e decidimos que poderíamos passar pelo tratamento da melhor maneira possível.
Tadeu: Foi um baque, afinal, não é todo dia que você ouve que tem uma possível massa tumoral, é complicado assimilar a ideia, mas até que a aceitação foi boa… Eu brinquei com a enfermeira dizendo: “legal nunca andei de ambulância…”, mas só o que me deixou mais baqueado foi a reação os meus pais, eles ficaram super abatidos, se assustaram mesmo, eu estava tranquilo pensando sempre que era só seguir o tratamento e estaria tudo bem.

2) Qual a alternativa que vocês buscam para os dias / momentos mais difíceis?
Bruna: Não há muitas alternativas, temos que viver todas as sensações, tanto as boas quanto as ruins. Mas em situações mais complicadas ligamos para os amigos e eles vêm dar aquela injeção de ânimo, sabe? Talvez essa seja a melhor alternativa que temos. Os amigos sempre são uma boa companhia e quase sempre a ‘terapia de choque’ deles funciona.
Tadeu: Eu procuro evitar notícias ruins, tipo uma reportagem muito agressiva, ouço piadas, vejo programas de humor, ouço minhas músicas favoritas, ganho um abraço da pessoa amada, os amigos, e o mais importante é evitar aquele olhar de dó, de que não tem mais o que fazer. O que importa é tentar seguir a rotina o mais normal possível.

3) O otimismo é um fator decisivo na cura? Qual é o seu peso?
Bruna: Eu penso que o otimismo é 50% da cura. Mas temos que ser otimistas dentro dos parâmetros da realidade, pois não adianta muito pensar positivo quando a realidade não favorece esse pensamento. Acho que devemos acreditar sempre que pode dar certo, pois de fato sempre pode, mas não podemos esquecer de que também pode dar errado e temos que estar preparados para isso, desta forma a decepção e frustração são bem menores.
Tadeu: Com certeza, se chorar adiantasse algo, passaria o dia todo num rio de lágrimas. Temos que encarar positivamente, para que o tratamento seja efetivo. Por mais que só venham notícias ruins, enquanto houver uma chance, uma opção, temos que nos agarrar a ela e manter a esperança.

4) Quais são os planos para o futuro?
Bruna: Independente de se estar doente ou não, não planejamos muito o futuro, pois como dizia Shakespeare: “O terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão”. E quando se está doente e é uma doença grave, planejar o futuro é algo que não fazemos, pensamos muito em como será, mas não fazemos planos, vivemos um dia de cada vez, mas não como se fosse o último. A vida nos leva e nos deixamos ser levados por ela…
Tadeu: Nunca fui muito de planos, ultimamente vivo um dia após o outro. Planejo a curto prazo, afinal, nunca se sabe se amanhã vai ter sol ou chuva… Faço planos a longo prazo somente para sonhos, como uma carro ou casa própria, casamento…

5) Diante de um desafio como esse o amadurecimento emocional acontece? De que maneira?
Bruna: Eu acredito que acontece sim, mas não sei se existe uma maneira específica para definir este evento. Eu vejo assim, quando saímos de um momento muito complicado e saímos em boas condições emocionais, acredito que é aí que o amadurecimento emocional acontece. Pois se você encara um problema e passa por ele com uma expectativa relativamente alta e com um otimismo, como já disse, dentro dos parâmetros da realidade, você fica mais forte emocionalmente e sabe que poderá passar por obstáculos piores e irá lidar com eles de uma maneira mais branda. E quando percebo que a estrutura emocional irá ficar muito abalada, desabafo com os amigos e se for necessário, porque não procurar o suporte psicológico que o hospital oferece?
Tadeu: Ah! Com certeza!, você passa a valorizar mais a vida, a ver tudo com outros olhos, de um modo mais humano ainda. No mundo atual você é adestrado para ser muito racional, já quando você tem uma doença que pode te levar em dias, valoriza mais esses dias. Você pensa em cada momento, emoção, cada passo, passa a sentir tudo muito intensamente… 

 

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O lado do especialista – A importância da positividade
Entrevistada: Vera Bifulco
Vera: Psico-oncologista, membro do IPC – Instituto Paulista de Cancerologia.

  

1) Como manter o otimismo e lutar pela recuperação quando recebemos o diagnóstico de uma doença como o câncer?
Existem estigmas muito enraizados na sociedade, como aquele em que “doença é igual a castigo”, ou “pessoas boas não merecem passar por isso”. O primeiro passo após um diagnóstico complicado é entender que doença e fatalidade faz parte da vida. Todas as instituições de saúde com equipe multidisplinar podem auxiliar nesse tratamento. O respaldo de todas as especialidades, para o fortalecimento do estado emocional, proporciona maior adesão ao tratamento.

2) A falta de otimismo após o diagnóstico e no tratamento interfere na recuperação? De que maneira?
Somos uma tríade, corpo, mente e espírito. Quando o físico é abalado todo o resto é abalado também. Podemos dizer que a crença inabalável e o apoio da família são colaboradores ativos no processo de cura.

3) A coragem emocional sugerida pode ser aplicada na prática? Como?
Sim e engloba tudo. O paciente precisa ser um participante ativo no seu processo de tratamento. Cuidar melhor da alimentação e buscar atividades físicas possíveis é um excelente começo.

4) O estado de nossa saúde mental interfere na pré-disposição a doenças crônicas?
Fatores diversos contribuem para o surgimento de uma doença. O que sabemos é que todo estado emocional tem interferência em nosso sistema imunológico. Sendo assim, culpar uma pessoa por conta da depressão, ou passar a um paciente que ele foi o responsável por seu estado atual pode sim interferir no tratamento.

“Escolher a maneira como vai enfrentar as adversidades só depende de você. Reflita e vença!”


Comentários

4 Respostas para “Otimismo e Cura – Uma receita de sucesso!”
  1. Marilisa disse:

    Bruna e tadeu são meus afilhados virtuais e meus maiores exemplos de coragem e força!

  2. Valeska disse:

    É precisamos de muito apoio emocional e otimismo, afinal o sistema imunológico também é afetado quando estamos estressados. Amar, fazer o bem, fazer coisas que gostamos. Melhora nosso corpo. Não é milagre é ciência, querer a cura já é um grande passo em direção a cura.

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