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Primavera é “tempo” de catapora


Começa, nesta sexta-feira (23), oficialmente a primavera. Mas com ela aparece também a catapora. Em consequência das temperaturas mais elevadas nessa estação do ano, há uma maior facilidade de transmissão da varicela, popularmente conhecida como catapora, fazendo com que os surtos (dois ou mais casos em um mesmo ambiente) da doença tornem-se mais comuns.

Prova disso é que em 2010 o Estado de São Paulo registrou 39.043 casos da doença. O pior ano da doença no estado foi 2003, com 51,6 mil casos. Geralmente benigna, a doença atinge principalmente crianças, mas os adultos infectados com o vírus precisam de cuidados especiais, sobretudo se tiverem outras doenças associadas.

Altamente contagiosa, a catapora se caracteriza pela presença de febre e vesículas (aquelas pintas vermelhas com líquido) com intensa coceira que se espalham em todo o corpo, evoluindo para crostas, até a cicatrização. A maioria das crianças tem entre 250 e 500 lesões, que podem permanecer por até duas semanas.

Transmissão e prevenção

A transmissão do vírus da catapora ocorre por contato direto, através da saliva, das secreções respiratórias ou por contato com o líquido do interior das vesículas. Depois de infectado o paciente fica imune a ela, ou seja, se contrai o vírus apenas uma vez na vida.

Os que estão com catapora precisam ter atenção especial com as condições de higiene da pele e também se alimentar bem, explica Telma Regina Carvalhanas, diretora da Divisão de Doenças de Transmissão Respiratória, do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo.

No caso de crianças, deve-se ainda evitar o contato com outras crianças que estejam com a doença. “Quem estiver doente deve ficar em casa. Somente assim é possível evitar surtos”, explica a médica do CVE.

A diretora orienta ainda que, uma vez doente, é preciso ter cuidado com as infecções, que podem ocorrer por causa das feridas na pele. Do contrário, podem ocorrer complicações, como infecção secundária das lesões de pele, pneumonia, encefalite, complicações hemorrágicas, hepatite, artrite e infecção invasiva grave, com risco de óbito. As pessoas com baixa imunidade podem apresentar quadros mais graves da doença.

“É necessário manter o paciente muito bem higienizado. As lavagens de mãos têm que ser excessivas para evitar que as bolhas se contaminem e infecções mais graves aconteçam”, conclui Telma.

Como a vacina não integra o calendário do Ministério da Saúde para distribuição na rede pública, é necessário que os pais fiquem atentos nesse período do ano e tomem todos os devidos cuidados preventivos.

São Paulo é o único estado do Brasil que tem um sistema de vigilância epidemiológica e monitoramento constante de surtos da doença, com controle em creches e escolas através do fornecimento gratuito de vacinação.

Recomendações para evitar complicações da catapora:

Corte sempre as unhas e as deixe limpas;

Use roupas leves, para evitar calor e aliviar as coceiras;

Use luvas na hora de dormir, se a coceira incomodar muito;

Não arranque as crostas que se formam quando as vesículas regridem;

Mantenha-se em repouso enquanto tiver febre;

Consuma alimentos leves e muito líquido.


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