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A pior seca na África em 60 anos


Foto: Andre Telles / Imagem: Site FAO

Países do Chifre da África enfrentam uma crise de fome gerada pela pior seca na região em 60 anos. A fome afeta cerca de 12,4 milhões de pessoas na Somália, Djibuti, Etiópia e Quênia, segundo dados da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação).

Segundo o Diretor-Geral da FAO, Dr. Jacques Diou, os efeitos combinados da seca, inflação e conflito, criaram uma situação catastrófica.

Conforme a Organização das Nações Unidas (ONU), 10 milhões de pessoas já foram atingidas pela fome, e pelo menos 29 mil crianças, só na Somália, morreram em decorrência da desnutrição aguda nos últimos três meses. A Organização já declarou fome generalizada na região.

A FAO convocou para a próxima quinta-feira, 18 de agosto, uma reunião, que será realizada em Roma, para discutir medidas urgentes e concretas a fim de fortalecer a resposta internacional à crise.

Veja abaixo o vídeo em que o ator Antonio Banderas pede ajuda para a crise de alimentos no Chifre da África:

Entenda a desnutrição

A nutricionista Maria Fernanda Elias, mestre em saúde pública e doutoranda em nutrição humana aplicada pela Universidade de São Paulo (USP), esclarece algumas questões a respeito da doença:

A desnutrição é a segunda causa de morte em menores de 5 anos nos países em desenvolvimento, afetando todos os sistemas e órgãos das crianças gravemente doentes.

Em um inquérito realizado em 79 hospitais do mundo, verificou-se que muitos profissionais de saúde têm ideias ultrapassadas e/ou desconhecem a conduta adequada para o tratamento de crianças gravemente desnutridas.

A inadequação do tratamento geralmente resulta da falta de reconhecimento do estado fisiológico alterado e da redução dos mecanismos homeostáticos que ocorrem na desnutrição.

As práticas incluem reidratação inadequada levando a sobrecarga e falência cardíaca, falta de reconhecimento de infecções que levam à septicemia e falha em reconhecer a vulnerabilidade das crianças gravemente desnutridas à hipotermia e à hipoglicemia.

Em muitos locais de tratamento, a reabilitação é muito lenta. Em alguns centros, a falta de recursos é o fator limitante, embora exista conhecimento adequado.

Inicialmente ocorre perda de peso que, quando se torna crônica, é seguida pela parada no crescimento.

Causas

São causas relativamente comuns de desnutrição, sobretudo na infância, o desmame precoce, a higiene precária na preparação dos alimentos, o déficit específico da dieta em vitaminas e minerais e a incidência repetida de infecções, em particular doenças diarréicas e parasitoses intestinais.

De modo geral, a desnutrição infantil resulta em retardo do crescimento, subdesenvolvimento físico e mental e aumento da mortalidade.

Dentre os adultos, as maiores consequências são letargia, diminuição da capacidade física e reprodutiva, declínio da função cognitiva e debilidade imunológica.

Nesse sentido, a fome e a desnutrição são fatores que impedem o desenvolvimento econômico e social de comunidades e grandes nações.

O que acontece com o corpo desnutrido

A desnutrição afeta todos os sistemas e órgãos de indivíduos em estágio avançado. Nenhuma das funções até agora estudadas tem se mostrado normal em caso de desnutrição grave.

Sugere-se que todos os processos do organismo entram em uma redução funcional adaptativa, como estratégia para garantir a sobrevivência.

Em longo prazo, sem tratamento adequado, ocorre a falência de múltiplos órgãos.

Diferença entre anemia e desnutrição

A desnutrição é caracterizada por um desequilíbrio e/ou uma deficiência de nutrientes no organismo.

Tais desequilíbrios são produzidos pela falta relativa de proteínas, carboidratos e gorduras como fontes de energia e micronutrientes. Então ocorrem alterações fisiopatológicas que primeiro traduzem-se em prejuízo funcional e, posteriormente, em danos bioquímicos e físicos.

Já a anemia, é caracterizada pela redução dos níveis de hemoglobina sanguínea. E causa alterações funcionais no organismo acarretando prejuízos para o consumo de alimentos e absorção de nutrientes. Nesse caso, pode levar a um quadro de desnutrição.

A fome oculta

No caso da dieta dos brasileiros, rica em colesterol e pobre em vitaminas, o maior prejuízo é o aumento da incidência de doenças crônicas não transmissíveis, como obesidade, cardiopatias, diabetes, hipertensão, câncer.

Por outro lado, ocorre a prevalência da fome oculta (carência de micronutrientes), que afeta cerca de um terço da população mundial e está relacionada principalmente à deficiência de ferro, zinco, iodo e vitamina A.

A fome oculta recebe essa nomenclatura por se instalar de forma silenciosa, sem sinais clínicos aparentes. Entretanto, mesmo que o quadro não seja avançado, já é capaz de causar danos relevantes à saúde, aos sistemas de saúde e à sociedade.

Na opinião da nutricionista, os excessos e erros alimentares podem ser evitados por meio de educação nutricional nas escolas.

Há necessidade de aumentar o consumo de frutas, verduras, legumes, cereais integrais e produtos lácteos, conforme demonstrado nos resultados da Pesquisa de Orçamentos Familiares 2008-2009 (POF-IBGE).

No caso da fome oculta os programas de fortificação de alimentos são essenciais. A suplementação e a fortificação de alimentos no combate a deficiência de micronutrientes como um compromisso político é uma história de sucesso em diferentes países desenvolvidos e em desenvolvimento.

Campanha das Nações Unidas:

Para saber mais informações sobre a crise no Chifre da África, clique aqui.

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Comentários

4 Respostas para “A pior seca na África em 60 anos”
  1. lucas disse:

    show

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