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O tempo certo para a retirada das fraldas


Um método para a retirada das fraldas dos bebês, difundido nos EUA, começa a ser debatido por aqui. Trata-se do “elimination communication” (comunicação da eliminação), e que consiste na observação dos sinais e sons que o bebê emite sempre que sente vontade de fazer suas necessidades.

Baseados nestes sinais, os pais conduzem o bebê (de meses) para um peniquinho para que ele faça as suas necessidades e assim se condicione a não mais fazer nas fraldas.

Embora nos EUA já até exista uma organização não governamental chamada Diaper Free Baby (Bebê livre de fralda, em inglês) que auxilia os pais na técnica, o pediatra Sylvio Renan Monteiro de Barros, da MBA Pediatria, questiona bastante e diz o motivo.

Segundo o especialista, a técnica, além de ser pouco viável e prática nos dias de hoje, não condiz com o desenvolvimento dos bebês, que só começam a ter controle neurológico de suas necessidades fisiológicas a partir dos 18 meses.

O que diz a Diaper Free Baby sobre o assunto? “Com base na evidência da história humana, é improvável que a idade natural em que os bebês estão prontos para se tornarem ativamente envolvidos com a resposta às necessidades de eliminação é tão tarde como a praticada atualmente em nossa sociedade. A dependência exclusiva de fraldas durante o primeiro ano de vida de uma criança pode influenciar sua capacidade de controlar sua bexiga e intestinos.”

Para o pediatra Sylvio Renan, “esta antecipação da retirada da fralda por condicionamento tem pouca chance de dar resultado, além de poder, pela frustração dos pais frente a um provável insucesso, provocar uma obstipação de origem psicológica. Pela lógica, não são os pais que condicionam a criança, mas o bebê que condiciona os pais a levá-lo ao vaso sanitário sempre que quiser fazer cocô ou xixi”.

Outro ponto importante está relacionado ao afeto e cuidado com os pequenos. “Tudo tem um momento e hora certa para acontecer, especialmente na infância. A prática dessa técnica faria com que a criança pulasse uma fase da vida, além de perder esse momento de afeto e contato próximo com os pais proporcionado no momento da troca da fralda”, conclui.

Pais de primeira viagem

Fica a dúvida sobre qual a idade certa para a retirada da fralda e de quantas unidades, em média, são necessárias por dia. Embora algumas possam amadurecer mais cedo ou mais tarde, “a criança tem amadurecimento neurológico que lhe permite administrar o controle dos esfíncteres entre 2 e 3 anos de idade”, afirma o pediatra.

E explica que um pequeno bebê (1º semestre de vida) consome uma média de 9 fraldas por dia – que diminui progressivamente com a idade, chegando a 3 a 4 fraldas, por dia, no segundo ano de vida.

Um treinamento antes do amadurecimento da criança ou, mesmo quando a criança já está preparada para isto, se mal executado, pode levar a desvios de normalidade, como a enurese noturna (fazer xixi na cama) ou a obstipação (intestino preso).

Xixi na cama

Sylvio Renan explica que, até 5 anos de idade, é absolutamente normal fazer xixi na cama. “Acima desta idade precisamos estabelecer parâmetros para avaliação. Se a criança sempre fez xixi na cama, perde urina somente durante o sono e não apresenta outros sintomas, não devemos nos preocupar. Caso contrário, investigações devem ser feitas visando estabelecer a causa do fenômeno.”

Veja as curiosidades mostradas pelo pediatra:

•    A partir dos 5 anos de idade, a cada  ano 15% das crianças que fazem xixi na cama deixam de fazê-lo espontaneamente;
•    Aos 5 anos, de 15 a 20% das crianças fazem xixi na cama, enquanto aos 10 anos somente 5% o fazem;
•    O número cai para 1 a 2% aos 15 anos de idade.

Não podemos esquecer que, de acordo com recentes pesquisas, cerca de 0,3% dos adultos têm enurese noturna sem causa aparente.

Numa população de aproximadamente 8 bilhões de pessoas, este número atingirá a incrível cifra de 24 milhões de adultos com enurese noturna, sem doença causadora.

Respeitar o desenvolvimento da criança é fundamental para o crescimento saudável. Restou alguma dúvida? Não deixe de comentar.


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