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Consumo de álcool entre gestantes preocupa


O Dia Internacional da Mulher não é comemorado no dia 8 de março à toa: foi nesse dia, em 1857, que operárias fizeram uma passeata em Nova York por redução da jornada e igualdade salarial entre os dois sexos.

Desde então, ocorreram inúmeros movimentos pela emancipação das mulheres, que cada vez conquistam mais espaço – o Brasil elegeu sua primeira presidente do sexo feminino em 2010.

Em contrapartida à emancipação das mulheres, que ocupam cargos de chefia nas empresas, que estão mais informadas e cuidam da própria saúde, há estudos sobre o aumento do consumo de álcool entre elas, inclusive durante a gravidez.

Como acreditamos que a informação é uma arma poderosa quando se trata de prevenção, consultamos a Dra. Camila Magalhães Silveira, psiquiatra e coordenadora do CISA – Centro de Informações sobre Saúde e Álcool, para esclarecer as principais dúvidas.

1) Qual a diferença da intensidade dos efeitos do álcool no organismo do homem e da mulher?
Dra. Camila: As mulheres são mais vulneráveis aos efeitos do álcool do que os homens após consumirem a mesma quantidade dessa substância, mesmo quando diferenças no peso corpóreo são levadas em conta. Isso ocorre porque o álcool se mistura facilmente com a água do nosso corpo, e como as mulheres possuem proporcionalmente menos água do que os homens, o álcool se torna muito mais concentrado, tornando os efeitos mais agravantes entre as mulheres.
Além disso, elas também apresentam menores níveis das enzimas aldeído desidrogenase e álcool desidrogenase, responsáveis pelo metabolismo do álcool – ou seja, o álcool permanece no corpo por mais tempo.

2) O consumo de álcool interfere no ciclo menstrual, menopausa etc?
Dra. Camila: Estudos científicos apontam que, nas mulheres, o uso de álcool está associado ao desenvolvimento de câncer de mama. Além disso, o consumo de álcool associado ao uso de reposição hormonal na pós menopausa também se torna fator de risco conhecido para o desenvolvimento de câncer de mama. Outros prejuízos decorrentes do uso nocivo do álcool em mulheres são: suscetibilidade de sofrer abusos sexuais, sexo desprotegido, violência, efeitos negativos sobre o casamento e o desenvolvimento dos filhos, entre outros.

3)  Os estudos epidemiológicos que indicam o aumento do consumo de álcool entre as mulheres nos países da América Latina citam as possíveis causas?
Dra. Camila: Nos últimos anos, a convergência do uso de álcool entre os homens e mulheres deve-se principalmente ao acesso às bebidas alcoólicas (decorrente da independência econômica). A mulher vem se igualando socioeconomicamente ao homem, havendo também uma aproximação do papel social entre os gêneros. Outros fatores contribuintes são situações que não existiam antes, como conviver com homens bebedores, no ambiente de trabalho. Há também maior aceitação social do uso de álcool pela mulher, atualmente.

4) É permitido ingerir alguma quantidade de álcool durante a gravidez sem que prejudique o bebê? Além da Síndrome Fetal Alcoólica (SFA), quais outras consequências possíveis e mais comuns?
Dra. Camila: Não, a bebida alcoólica durante a gravidez deve ser completamente evitada.
O uso de álcool durante a gravidez pode trazer inúmeros problemas para a criança, incluindo hiperatividade, déficits de atenção, aprendizado e memória. Diversos fatores podem contribuir para o surgimento de problemas no feto: padrão de consumo de álcool, metabolismo materno, suscetibilidade genética, período da gestação em que o álcool foi consumido e vulnerabilidade das diferentes regiões cerebrais da criança.

5) Há dados da quantidade de mulheres que ingerem bebidas alcoólicas durante a gestação?
Dra. Camila: Um estudo realizado no período de 1997-2002 com 4.088 mulheres grávidas, revelou que cerca de 30% das entrevistadas relataram o uso de álcool em algum momento da gravidez.
E não é apenas a saúde do feto que é prejudicada pelo consumo de álcool durante a gestação, mas também a da própria mãe, que pode chegar a óbito precocemente.

Dessa forma, a abstinência é a única atitude segura a ser tomada. Esta é a recomendação de diversas instituições, incluindo a OMS, British Medical Association e o Royal College of Obstetrics and Gynaecology.

Fontes: Andrade AG, Anthony JC, Silveira CM. Álcool e suas consequências: uma abordagem multiconceitual. Barueri, SP: Minha Editora, 2009.
National Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism (NIAAA). Are Women More Vulnerable to Alcohol’s Effects? Alcohol Alert No 46, 1 999.
Use of Postmenopausal Hormones, Alcohol, and Risk for Invasive Breast Cancer. Annals of Internal Medicine; 137;798-804, 2002.
Mary K. Ethen, Tunu A. Ramadhani et Al. Alcohol Consumption by Women Before and During Pregnancy. Matern Child Health J., 2008.


Comentários

3 Respostas para “Consumo de álcool entre gestantes preocupa”
  1. Ministério da Saúde disse:

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