Aborto e sexualidade é tema exclusivo de museu na Áustria
O Ministério da Saúde atualmente estuda uma medida que reduzirá os danos e riscos do aborto ilegal através de informar as mulheres sobre os riscos, as alternativas (como adoção) e os métodos a serem seguidos caso a ideia de abortar ainda continue. Entretanto, a proposta é polêmica e ainda será discutida do ponto de vista ético, teológico e da saúde pública.
Enquanto o governo brasileiro reluta em tomar decisões sobre o assunto, a Áustria, país onde o aborto é legalizado, conta com um museu exclusivo sobre a história do aborto e da anticoncepção.
“Há 50 anos, a maioria dos países europeus legalizou o aborto, passando por cima de leis e tabus religiosos, para salvar as vidas de sua população feminina”, declarou o diretor do museu à Agência Efe.
Localizado em Viena, o museu já recebeu mais de 20 mil visitantes desde 2007. O seu foco é contar a história de como o ser humano aprendeu a separar a sexualidade de fertilidade. Por muito tempo, tentou-se evitar a gravidez indesejada com métodos que hoje parecem ingênuos e até absurdos.
Como descritas pela Agência Efe, salas do museu expõem e relatam sobre métodos anticoncepcionais usados por mulheres e homens durante séculos até a metade do século XX, como: intestino de cabra e bexiga de peixe como preservativos primitivos, excrementos de crocodilo para determinar se uma mulher engravidou, pedaços de limão introduzidos no colo do útero para evitar o acesso de espermatozoides e outros.
Foi só depois da Segunda Guerra Mundial que a ciência conseguiu alcançar um dos sonhos da humanidade: evitar a fertilidade nos atos sexuais. Sabemos que isso é possível quando usamos anticoncepcionais confiáveis, camisinhas e outros métodos anticontraceptivos disponíveis hoje. O passeio ao museu é uma forma de ensinar aos jovens como se proteger no sexo.
Entretanto, o museu de apenas 100 metros quadrados é alvo de críticas fortes por parte dos conservadores. O motivo é uma sala que aborda as diferentes técnicas usadas para o aborto, como agulhas de tricô e outros artefatos, usados até hoje em grande parte do mundo onde o aborto acontece ilegalmente.
Além de expor os utensílios e explicar as técnicas usadas nas intervenções, o museu pretende informar e conscientizar o público, especialmente os jovens, sobre os riscos dos abortos clandestinos. Mesmo sendo legalizado na Áustria, o museu considera esse método anticoncepcional uma “última saída” em uma época repleta de meios seguros para interromper uma gravidez.
Você pode conhecer mais sobre O Museu de Técnicas Anticoncepcionais e Aborto de Viena pelo site ‘www.muvs.org’, que relata em alemão e em inglês o passado e o presente desse aspecto tão íntimo de nossas vidas.
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Stefanie
7 de junho de 2012












