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Repertório para decisões – Qual é a sua bagagem?


Atuar, representar e evoluir. Somos o que aprendemos e experimentamos ao longo de nossas vidas. Esse conglomerado de vivências desenha nossa identidade corporativa e nosso comportamento diante das situações a que somos submetidos em nossa rotina de trabalho.

O jornalista e empresário Luciano Pires trata do assunto em um de seus artigos, e rotula a falta de todo o repertório citado acima como a “Síndrome da Paralisia por Análise”. Simplificando, significa que você só alcançará sucesso e satisfação em suas decisões se tiver bases sólidas para apoiá-las. Ainda não entendeu? Vamos lá.

A pressa para que se resolva tudo, e rápido, impede muitas vezes o líder de parar e analisar a situação que pede por uma solução inteligente. Segundo Andrade tudo começa com nosso repertório, que é a base para nossas reflexões, logo, segundo o jornalista “um repertório fraco leva a reflexões tortas, que induzem a análises errôneas, julgamentos falhos e escolhas erradas.” Será essa uma característica exclusiva da Geração Y? Que caracterizada pelas ações rápidas peca em não refletir sobre as decisões tomadas?

A gerente de recrutamento e seleção da Allis lembra que uma carreira pautada somente em mudanças rápidas é o não desenvolvimento de competências comportamentais importantes para a perenidade dos negócios, como paciência e tolerância para lidar com situações que exigem ações de médio e longo prazo para atingir resultados.

Pensando nisso e a fim de decidir qual o melhor caminho a seguir enumeramos algumas questões para Luciano Pires esclarecer melhor a tal “Síndrome da Paralisia por Análise”. Confira e reflita, para depois decidir qual a sua opinião sobre o tema.

1) Luciano, essa Síndrome seria a característica negativa da Geração Y? Por quê?
Não considero que essa seja uma característica negativa de uma determinada geração. Ela sempre existiu. O problema me parece da geração ANTERIOR, que trabalhou para afrouxar os padrões, para reduzir as exigências e abriu espaço para que gente cada vez mais inexperiente (e aqui não existe nenhum juízo de valor – todo mundo é inexperiente um dia) ocupasse posições de liderança. Me parece que o tal mantra “fazer mais com menos” é o grande responsável pelo problema: as empresas – na ânsia de cortar custos – passaram a substituir as pessoas experientes (portanto mais caras) por gente mais “baratinha”. O preço a pagar é alto, mas é de difícil mensuração: a demora para decidir, a fragilidade do processo de julgamento e tomada de decisão, a falta da “visão do todo” e a insegurança. A culpa não é da geração Y.

2) Como os colaboradores liderados por esse perfil devem reagir diante da má organização?
Um dia ouvi uma frase deliciosa do escritor Claude Mcdonald: “Algumas vezes uma maioria simplesmente significa que todos os tolos estão do mesmo lado”. Outro escritor, Rubem Alves diz: “O povo, unido, jamais será vencido. Esse é o meu medo”. E por fim, o poeta alemão Christopher Wieland disse: “É um perigo alguém possuir mais bom senso do que os que o rodeiam”. O que quero dizer com essas frases? Que o pior que podemos fazer é entrar em pânico ou começar a correr junto com o rebanho. Má organização é como briga em balada: quem entrar nela vai apanhar e bater sem saber de quem ou em quem. Sobra pra todo mundo. O mais prudente é não entrar na confusão. E tentar tirar dela todos os amigos que você conseguir. E tentar mostrar aos organizadores o potencial de perigo da situação. Oferecer-se para fazer aquela tarefa chata que ninguém quer, mas que é essencial. Brasileiros têm o péssimo hábito de sair fazendo. Não gostamos de planos, queremos a mão na massa. Isso é tudo que o diabinho da confusão quer para tomar conta.

3) Se pudesse passar a receita correta para as lideranças jovens, qual seria?
Tudo se resume num ciclo: você tem que enriquecer seu repertório (as coisas que leu, as experiências que viveu, os exemplos que conheceu, as pessoas nas quais se mirou, etc). A partir dele, suas reflexões serão mais ricas, as comparações mais complexas, os julgamentos mais refinados, as escolhas mais acertadas. Repertório pobre leva a reflexões mais pobres ainda, a comparações simples, julgamentos tortos e escolhas erradas. O grande problema do Brasil é a miséria intelectual. Então a receita é: cuide de seu intelecto. Estude, aprenda, experimente, ouse. Não faça parte dos “Yes men”, aquele grupo de bovinos resignados que assiste o navio afundando mas continua fazendo direitinho aquilo que mandaram fazer. Se você não está correndo o risco de perder o emprego, por ser um contestador, um insatisfeito, um agitador, você não está indo suficientemente longe.

Refletiu? Qual é o tamanho da sua bagagem?

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Comentários

4 Respostas para “Repertório para decisões – Qual é a sua bagagem?”
  1. mauricio disse:

    Estudar, aprender, experimentar e ousar. Bela receita para incrementar nossa bagagem pessoal para que nossas decisões sejam melhores.

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