2 de abril é o Dia Mundial da Conscientização do Autismo. O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma deficiência que afeta o neurodesenvolvimento de uma pessoa, o que causa dificuldade para interagir e se comunicar. Os sintomas podem aparecer já nos primeiros meses de vida. Confira a seguir, relatos de uma mãe que tem um filho autista.

 

Elisa Cristina Pinheiro Fontes, 43 anos, é mãe do Juan Daniel, de 6 anos. Ela conta que junto com o marido, Hugo, perceberam comportamentos inadequados do filho quando ele tinha 1 ano, mas cada um guardou dentro de si o que achava.

 

O tempo passou e com 1ano e 3 meses os comportamentos ideais de uma criança típica foram dando espaço as estereotipias (ações repetitivas), e mais comportamentos inadequados. “Um dia o pai chegou do trabalho e perguntou sobre Juan, e ele estava atrás da porta girando um CD, era uma fissura. Olhamos um ao outro e dissemos juntos: Acho que Juan é autista, nos abraçamos e choramos”, relata a mãe.

 

Por percebermos cedo começamos a luta por diagnóstico, enquanto isso Juan já estava em psicóloga, fonoaudióloga e terapeuta comportamental. A fala parou completamente aos 2 anos. Nós sabíamos que seria uma longa caminhada. “Dificilmente um médico vai diagnosticar uma criança tão cedo, e se fizer desconfie, pois existe várias síndromes com características de autista”, alerta Elisa.

 

Experiências e dificuldades

 

Graças a Deus ele é bem aceito por onde passamos, imagino que deva ser pelo fato dele ser sorridente, sociável e estar sempre feliz. As crianças com quem ele socializa são somente da escola. Sempre muito querido, as crianças passam a tomar conta dele, mas se encontramos alguma criança em um parque, a socialização irá depender do humor dele em querer contato ou não.

 

Como moramos distante não temos contato pessoal frequente com a família, mas ele já memorizou as pessoas que ele gosta e nos reencontros fica muito feliz.

Ele estuda em escola regular, já tentamos especial e até particular regular, mas ele se desenvolveu na regular e pública.

 

Elisa conta que teve uma escola particular que Juan não chegou a ficar nem 4 meses. “Percebemos o preconceito das crianças quando chegávamos para deixar o Juan”, diz.

 

Hoje ele já diminuiu muitos comportamentos inadequados, mas ainda balança as mãozinhas; dependendo do som tem o hábito de tapar os ouvidos porque incomoda; e gosta de sentir texturas, desde um tapete no chão a um piso de cimento. “Outro dia viu um tapete na porta de uma farmácia e me arrastou para passar a mão, isso deixa ele tranquilo. Já fui ao supermercado comprar coisas necessárias do dia a dia e sai de lá com um tapete”, relata a mamãe.

 

Gostaria de dizer que, se não tiver paciência, amor e dedicação, fica muito difícil o desenvolvimento das crianças autistas. Em primeiro lugar, aceitar o filho já é um ótimo começo. Eu tive a opção de chorar ou ajudar Juan, e hoje olho para as conquistas que ele alcançou e percebo que ele é quase independente nas necessidades básicas.

 

Quando perceberem que tem algo de diferente com a criança, busque ajuda médica e mais opiniões possíveis para não ter um diagnóstico errado. Por tudo que já passamos, reconheço que não tem melhor terapia que a participação dos pais em conjunto.

 

Corra atrás dos direitos das crianças autistas após o diagnóstico. E não compare seu filho com outras crianças, cada um tem o seu tempo.

 

Procure conviver apesar das dificuldades, como uma criança típica e sem rotular. Motive, parabenize, incentive e nunca esqueça de dizer que ama. Beije, abrace!

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