Todo brasileiro tem conhecimento referente ao descarte de pilhas e baterias, mas poucos sabem que os medicamentos vencidos, assim como as embalagens deles, não podem ser jogados fora em lixos comuns, ou pias ou pelo vaso sanitário. Além do risco de contaminar o meio ambiente (água e solo), pode prejudicar a saúde de quem trabalha no aterro sanitário manuseando os resíduos.

Para os seres humanos, a principal preocupação é em relação aos antibióticos, estrogênios (hormônios que controlam a ovulação das mulheres) e as substâncias usadas em tratamentos de quimioterapia. O maior risco é o desenvolvimento de bactérias resistentes aos antibióticos, já que eles ficam expostos no ambiente quando há descarte irregular dos mesmos. As substâncias quimioterápicas trazem a possibilidade de produzir mutações genéticas e os estrogênios usados em pílulas anticoncepcionais são apontados por estudos internacionais como a causa da mudança de sexo em peixes, colocando em risco a existência dos peixes machos.

Segundo o especialista em farmácia Marcelo Rodrigues, colaborador do Instituto de Medicina, Estudos e Desenvolvimento, a solução ainda é incinerar as substâncias químicas. A recomendação é que o cidadão comum leve tais medicamentos onde há pontos de coleta, geralmente eles são disponibilizados em determinados postos de saúde, Unidades Básicas de Saúde e farmácias.

“Algumas farmácias e instituições têm parcerias com as empresas responsáveis pela incineração destes resíduos e possuem uma cota que disponibilizam para coletar essas substâncias químicas dos consumidores que vivem comunidade local”, explica.

Mesmo que haja estações de tratamento de água e saneamento básico na sua cidade, comprimidos e soluções despejados no vaso sanitário, quando não vão para a rede de esgoto, infiltram-se no solo. Já as substâncias jogadas na pia, ainda que cheguem às estações de tratamento de água, estas não dão conta de eliminar todos os componentes, que podem acabar sendo despejados no mar. E os que vão parar no lixo comum contaminam os lençóis freáticos.

Vale lembrar que as embalagens secas e as bulas podem ser recicladas. Em São Paulo, o programa Descarte Consciente permite que os remédios sejam coletados em farmácias parceiras.

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