As doenças mentais muitas vezes não são levadas a sério, pois o diagnóstico delas é sintomático e não clínico. De acordo com Damaris Estefânia da Silva, psicóloga do Instituto Corpore em Bela Vista do Paraíso (PR) – entidade que atua na promoção da qualidade de vida do cidadão, “as pessoas tendem a acreditar apenas no que vêem, quando há um exame comprovando que o indivíduo está com problema”. No entanto, é importante ressaltar que, embora diagnosticada somente através dos sintomas analisados, as doenças mentais são tão sérias quanto as físicas. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), ao ano, cerca de 350 milhões de pessoas (5% da população) sofrem de depressão – uma das doenças mentais mais comuns, que até 2020 estará entre as de maior questão de saúde pública.

Damaris explica que, o indivíduo pode ser considerado com uma mente sadia quando está em equilíbrio físico e emocional. “Se a pessoa consegue trabalhar, estudar, desenvolver suas atividades diárias e está bem consigo mesma e com os outros, então ela está saudável”, diz. Além disso, o ser humano deve sempre saber os seus limites dentro da sociedade e buscar ajuda quando não se sente bem emocionalmente. “Se o sujeito sente tristeza profunda, se isola, chora sem motivo e não se sente capaz de ser feliz, é o momento de procurar ajuda profissional”, esclarece a psicóloga.

Conheça melhor algumas das principais doenças mentais:

Tristeza profunda sem motivo aparente

Caracterizada por uma tristeza profunda, tendência a se isolar da sociedade e, em casos mais graves, pensamentos suicidas, a depressão atinge em torno de 10% da população – e a maioria das pessoas nem sabem disso. Damaris pontua que este é o principal motivo pelo qual quem convive diariamente com alguém que apresenta sintomas de depressão, deve levar a doença a sério e incentivá-lo a procurar ajuda de um profissional, pois é uma doença que tem cura e pode ser tratada com terapias e medicamentos.

Da mania à melancolia

Marcada por alternâncias extremas de humor, a bipolaridade não tem cura, mas pode ser controlada quando o tratamento é realizado. “Na bipolaridade clássica, o indivíduo pode ficar até seis meses bem e os outros seis meses em estado depressivo, mas existem casos que essa alteração de humor acontece em apenas um dia”, explica a psicóloga. O cidadão que está tendo um surto pode ser agressivo. No entanto, quando realiza corretamente o tratamento, a doença pode estabilizar.

Mania de perseguição

Assim como a bipolaridade, a esquizofrenia não tem cura, mas pode ser controlada com tratamento correto. Marcado por alucinações visuais e até mesmo olfativas, é o tipo mais grave entre as três citadas e a que mais compromete o ser humano quando não controlado, pois, de acordo com Damaris, ele descaracteriza a própria imagem e tem surtos, vê vultos, tem mania de perseguição e acha que sempre alguém está tramando algo contra ele. “Em casos mais avançados, não se reconhece mais e chega a conversar com a própria projeção no espelho”, explica a profissional.

Todos os transtornos possuem um fator genético e que normalmente desencadeiam em fases de mudança. “A transição da adolescência para a fase adulta, a menopausa ou andropausa, ou o falecimento de um ente querido são momentos que os transtornos acabam aparecendo naquelas que já têm uma predisposição para desenvolver essas doenças”, diz a psicóloga.

O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza medicação psiquiátrica aos usuários do sistema público de saúde, atendidos por especialidades médicas. A terapia e apoio emocional aos pacientes e familiares são oferecidos pelos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). “Quando existe um familiar com uma doença mental, não é apenas o indivíduo que está doente, e sim toda a família, pois acaba por afetar a vida de todos”, finaliza Damaris. Atualmente o Instituto Corpore atua no CAPS de Bela Vista do Paraíso (PR) e dispõe de um médico psiquiatra, colaborador da entidade, no CAPS do município de Caraguatatuba (SP), fornecendo serviços de assessoria técnica e desenvolvimento dos programas nos grupos de apoio.

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