Child holding his hands against his earsA personagem Linda (Bruna Linzmeyer), da novela Amor à Vida, levantou diversos questionamentos sobre o Autismo. Ainda que a novela não mostre com total veracidade o transtorno, é fundamental trazer à tona o debate desta disfunção pouco conhecida.    Autismo é, na verdade, o termo usado para apresentar um grupo de transtornos de desenvolvimento do cérebro, os “Transtornos do Espectro Autista” (TEA). Eles afetam o funcionamento social, a capacidade de comunicação, provocam um padrão restrito de comportamento e podem ser acompanhados de deficiência intelectual.

Celso Goyos, psicólogo e professor da Universidade de São Carlos (UFSCar), listou 10 fatos importantes sobre o transtorno, confira:

1) O Transtorno do Espectro Autista (TEA) ou autismo afeta aproximadamente uma em cada 88 crianças, segundo cálculos recentes do Center for Desease Control (CDC), dos EUA. Esta incidência é altíssima e representa número maior de casos do que aqueles de HIV positivo, câncer e diabetes infantil somados. O crescente aumento da incidência não se deve a qualquer epidemia, deve-se às especificações mais detalhadas dos sinais da síndrome, à sua divulgação, e à capacitação dos profissionais responsáveis para reconhecê-los. Embora não haja cálculos estatísticos para o Brasil, como um todo, é razoável supor que a incidência seja muito próxima da internacional.

2) Apesar das importantes pesquisas desenvolvidas na áreas de Genética e Medicina, não há até o momento indicação de causa especifica para o autismo, e tampouco cura.

3) O tratamento mais indicado para os sinais do autismo, segundo fontes seguras, baseadas em evidências experimentais rigorosas, é aquele que tem como base os princípios, procedimentos e técnicas derivadas da ciência conhecida como Análise do Comportamento. Esse tratamento tornou-se conhecido como “intervenções ABA” (e a sigla ABA vem das iniciais em inglês para Applied Behavior Analysis).

4) Embora o diagnóstico seja importante, e os pais devam persistir na direção de obtê-lo, o início das intervenções comportamentais não precisa necessariamente aguardar esse diagnóstico, que pode demorar meses ou até anos para ser concluído. Durante este período perdura a mais absoluta e angustiante incerteza sobre a vida da criança, dos pais, e da família e, principalmente, o atraso no desenvolvimento da criança pode ser irrecuperável;

3) Entre as áreas afetadas em indivíduos com TEA há problemas na esfera do desenvolvimento da linguagem, que se manifesta com atraso, ou com grandes deficiências, tais como déficits na fala e/ou na sua compreensão, fala repetitiva (ecolalia) e discurso fora de contexto;

4) Na esfera do envolvimento social, se manifesta através da ausência do contato com outras pessoas, mesmo do contato visual e físico – a criança não busca nem reage a contatos com outras pessoas – ou do consequente isolamento social, nem mesmo brinca de maneira funcional;

5) A criança com TEA exige, em grande parte dos casos, atenção e cuidados intensos continuadamente em 100% do seu estado de vigília, pelo menos em um período significativo de suas vidas. Pela intensidade da atenção necessária, muitas vezes os próprios pais se dedicam ao trabalho de cuidadores, e isso pode significar o abandono do emprego, o que impacta o nível sócio econômico da família. Um agravante é o fato dos pais nem sempre ter o preparo adequado e necessário para tal responsabilidade.

6) Há ainda excesso de comportamentos repetitivos, não-funcionais, estereotipados – tais como, movimentos com as mãos e braços, ou movimentos pendulares do tronco – ou mesmo auto-lesivos.

7) As intervenções ABA são especialmente eficazes se: (a) forem aplicadas imediatamente após os primeiros sinais e as primeiras suspeitas de diagnóstico; (b) acontecerem de maneira intensiva: entre 20 a 40 horas por semana e (c) sejam planejadas para um período mínimo entre dois a três anos;

8) Uma das medidas mais importantes na atuação com relação ao autismo é a capacitação dos profissionais que têm contato direto com esta população – psicólogos, terapeutas, médicos, professores, pais e demais cuidadores – no sentido de identificarem os sinais do transtorno e de introduzirem intervenções baseadas na terapia ABA.

9) Em geral a família de uma criança com TEA não sabe a quem recorrer diante das primeiras dificuldades em interagir com o transtorno;

10) É difícil encontrar profissionais especializados. Não há profissionais em número suficiente qualificados para ocupar todos os espaços necessários para intervenções satisfatórias, na família, na escola, e na comunidade como um todo. Além disso há poucos serviços públicos, especializados de qualidade, disponíveis. Também não há programas de ensino especializados e em número suficiente para capacitar profissionais da área de saúde e de educação.

Arteterapia

295005_8584A personagem na trama utiliza-se de desenhos para se expressar e se comunicar. A Arteterapia realmente é um tratamento: Mas, Cuidado!  Procure ajuda especializada. A terapia não consiste apenas em dar ao paciente algumas folhas em branco. Viviane Regino, psicóloga com especialização em Arteterapia pela Associação Brasileira de Arteterapia e pela American Art Therapy Association (AATA), explica “O autista tem um falha cognitiva que o impede de expor seus sentimentos e se comunicar de forma adequada, pois ele não consegue se expressar verbalmente ou através do seu comportamento. Por isso, a arteterapia é um grande aliado para esse tipo de paciente, pois através dos desenhos, das cores que ele utiliza, o arteterapeuta consegue identificar o que o autista está sentindo. Além disso, quando o autista começa a criar esse contato no papel, ele começa a tirar de dentro dele aquelas emoções que ele não consegue comunicar, e quando ele faz isso, começa a ter o primeiro contato com o mundo externo, o que permite que você consiga criar um contato com ele através dessas produções”.

A Arteterapia proporciona ao paciente a possibilidade de se comunicar “A comunicação é uma necessidade básica do ser humano, e como o autista não consegue encontrar nenhuma outra forma de se comunicar, através do desenho o arteterapeuta vai começar a criar um diálogo com o paciente e, em muitos casos, há uma melhora muito grande”, completa a psicóloga.

É muito importante ressaltar que o tratamento deve ser feito de forma Completa. A arteterapia não dispensa o acompanhamento de psicólogos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, T.O.’s, neurologistas ou outros profissionais que se façam necessários.

COMENTÁRIOS:

Comente

Deixe aqui sua opinião...