78025009A atriz Angelina Jolie revelou ontem (14), num artigo no jornal New York Times, que fez uma dupla mastectomia (adenomastectomia), cirurgia para reduzir as chances de ter câncer de mama. O que desencadeou um debate sobre a realização de testes genéticos para a detecção de mutações que podem aumentar o risco da doença.

A atriz,  portadora da mutação no gene BRCA1 – fator de aumento de risco para câncer de mama e de ovário – tinha 87% de risco para câncer de mama e 50% para câncer de ovário  e optou por realizar a cirurgia após comprovação genética da alta possibilidade de o câncer se desenvolver.

Estudos mostram que o câncer de origem genética não é raro. “No caso do câncer de mama, a taxa é de cerca de 10% e as mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 respondem por cerca 70% de todos os casos hereditários de câncer de mama e ovário”, afirma Maria Isabel Achatz, diretora de Oncogenética do A.C. Camargo Cancer Center.

É importante ressaltar que “a cirurgia, apesar de reduzir em 90% as chances de o câncer se desenvolver, só é indicada para pessoas portadoras de algum gene causador, como o BRCA1 e o BRCA2, e em casos de antecedente familiar: em familiares de 1º grau ou com menos de 50 anos”, defende o Doutor Paulo Pirozzi da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM).

Pirozzi lembra ainda que apesar de a cirurgia ser realizada pela rede publica o exame de mapeamento genético não é e o custo é alto, entre R$3,5 mil a R$6 mil. Outro alerta é para o arrependimento de mulheres que optaram pela adenomastectomia, dados americanos mostram que 30% delas mostraram-se insatisfeitas com a cirurgia, pois entre os efeitos colaterais estão perda de sensibilidade, da libido e de funções psíquicas ligadas a sexualidade.

O procedimento consiste na retirada da glândula mamária preservando aureola e pele e inserindo uma prótese em baixo do músculo. E exatamente por não ser retirada toda a mama é que o risco permanece, embora pequeno, entre 5% e 10%.

O presidente da SBM, Dr. Carlos Alberto Ruiz, ressalta que o diagnóstico precoce ainda é o melhor caminho para a prevenção da doença. Quando detectado logo no início, 95% dos casos têm chances de cura. Ele alerta que a mamografia é o exame mais preciso na identificação dos tumores precocemente. A recomendação da Sociedade Brasileira de Mastologia é que ela seja feita anualmente a partir dos 40 anos. Estudos independentes sobre dados obtidos em pesquisas mundiais mostram redução de até 35% na mortalidade pela doença em mulheres entre 39 e 69 anos, como resultado do rastreamento mamográfico. “A detecção precoce também pode levar à preservação dos seios na cirurgia de retirada do tumor”, afirma o Dr. Carlos Alberto Ruiz, ressaltando que há muita vida após o câncer de mama.

blog_piscandoO câncer de mama é o segundo tumor mais frequente no mundo e apesar de ser tema constante em pauta, ele continua atingindo números crescentes. Estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca) prevê mais de 52 mil casos em 2013. O risco estimado de incidência é de 52 casos a cada 100 mil mulheres. As estatísticas demonstram que são mais de 13 mil mortes por ano no Brasil por conta da doença, que já é a segunda maior causa de morte da mulher brasileira, perdendo apenas para doenças cardíacas.

**Angelina Jolie pretende autorizar o hospital Pink Lotus Breast Center de Beverly Hills, na Califórnia, onde foi operada, a colocar seu regime de tratamento pós-operatório on-line. O anúncio feito pela atriz deve causar grande impacto no debate sobre prevenção e tratamento de câncer de mama, uma doença que mata 458 mil mulheres por ano, segundo a Organização Mundial de Saúde.

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