Durante a semana que se comemora o Dia Internacional da Mulher (08/03), muitas conquistas são lembradas, mas também é o momento de reforçar a luta contra doenças que estão entre as maiores causas de mortalidade feminina: o câncer de mama e o câncer de colo de útero. Este último pode ser facilmente descoberto no exame preventivo, conhecido como Papanicolau, que indica a infecção pelo papiloma vírus humano, o HPV.

Além do exame preventivo, a maioria das mulheres sabe que existem vacinas contra o HPV, mas o que poucas sabem é que são mais de 20 tipos de vírus HPV e que as vacinas produzidas atualmente cobrem uma pequena parte dessas variações. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), pelo menos 13 tipos de vírus HPV são considerados oncogênicos (com potencial para causar câncer).

Hoje, estão comercialmente disponíveis duas vacinas contra o HPV aprovadas e registradas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA): a vacina da empresa Merck Sharp & Dohme (nome comercial Gardasil), que confere proteção contra quatro tipos de HPV; e a vacina da empresa GlaxoSmithKline (nome comercial Cervarix), que confere proteção contra dois tipos de HPV.

Essas vacinas estão disponíveis em clínicas particulares e ainda não foram incorporadas na rede pública. Por quê? Alexandre Padilha, Ministro da Saúde, respondeu a essa pergunta durante o Encontro com Blogueiras, evento que contou com a participação do Blog da Saúde (saiba mais aqui).

Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante o Encontro com Blogueiras. Foto: Blog da Saúde

Blogueiras questionam o ministro. Foto: Blog da Saúde

Primeiro entrave: a cobertura e o perfil das vacinas 

Padilha ressalta que o Brasil tem interesse em colocar a vacina na rede pública, mas pondera que ela precisa ter o perfil de vírus que circula no País para garantir a sua eficácia. “Uma das preocupações é que as vacinas – tanto a que cobre quatro tipos de HPV, quanto a outra que cobre dois – não alcançam todas as variações que existem e que circulam no Brasil. Como foram vacinas feitas em países desenvolvidos, uma nos EUA e outra na Inglaterra, às vezes o perfil da vacina tem mais a ver com a distribuição dos vírus daqueles países fabricantes”.

Segundo ponto: proteger contra um tipo de vírus pode fortalecer outros

“Eu sou infectologista, estou acostumado com as doenças infectocontagiosas, e a nossa segunda preocupação é que quando se protege um tipo do vírus isso pode abrir a possibilidade de outros vírus, que tenham uma presença menor entre as mulheres, cresçam na proporção e com isso pode levar a mais câncer”, explica.

Terceiro: conscientizar que mesmo tomando a vacina, deve-se usar camisinha

Esse é um ponto muito delicado, porque as vacinas protegem contra alguns vírus HPV (como já bem explicado nas linhas acima), mas muitas mulheres podem achar que estão protegidas contra todos os vírus e por isso podem praticar sexo sem camisinha. O que agrava essa situação é que a vacina contra o HPV é recomendada principalmente para adolescentes – idade entre 9 e 26 anos – um público consciente da importância da camisinha, porém, não a usa. Mesmo tomando a vacina deve-se usar camisinha.

Desafios propostos aos fabricantes das vacinas contra HPV

O Ministério da Saúde (MS) lançou um desafio aos laboratórios para que apresentem vacinas que tenham uma cobertura maior de tipos de vírus HPV presentes no Brasil e que diminuam a quantidade de aplicação da vacina, que hoje são de três doses.

“Fizemos o desafio e os fabricantes começaram a apresentar as propostas. A expectativa é fechar a avaliação das propostas até o final deste semestre e colocar a vacina contra o HPV na rede pública de saúde, se possível, até o próximo ano”, pontua Padilha.

Outra questão levantada pelo ministro é a de transferir a tecnologia de fabricação da vacina para algum laboratório brasileiro. “Colocamos isso como exigência aos laboratórios estrangeiros porque 96% das vacinas que nós aplicamos na rede pública são produzidas no Brasil”, finaliza.

Paralelo às ações do governo, tramita um Projeto de Lei na Câmara dos Deputados que prevê a imunização de meninas com idade entre 9 e 13 anos contra o papilomavírus humano (HPV) pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Algumas Secretarias Estaduais de Saúde fazem campanhas de vacinação contra o HPV, de maneira pontual e por um determinado período, como aconteceu no Distrito Federal há poucos dias (aqui). Estamos de olho nas campanhas de vacinação para divulgar aqui no Blog da Saúde. Se você quiser compartilhar informações a respeito, envie para nós. 

COMENTÁRIOS:

Comente

Deixe aqui sua opinião...