O coração dispara, o suor é abundante e a sensação de falta de ar aumenta. Medo e desespero tomam conta rapidamente e a morte parece estar ao lado. Essas reações física e emocional caracterizam o Transtorno (ou Síndrome) do Pânico. Diferente de uma reação qualquer de medo ou ansiedade, o quadro mais marcante nesse caso é a frequência e a intensidade das crises, que são repentinas e repetidas.

“As crises acontecem sem motivo aparente, tornando a pessoa como uma espécie de refém de si mesmo e de seus pensamentos. São vários ataques no período de semanas ou meses”, explica a psicóloga Sandra Aurea Hamzeh.

A causa do transtorno ainda é desconhecida. Alguns estudos indicam que, apesar da genética ser preponderante nesses quadros, em geral, a crise ocorre sem que haja nenhum histórico familiar. Segundo Sandra, os sintomas normalmente começam antes dos 25 anos, mas podem ocorrer depois dos 30. “Não temos como determinar causas específicas, elas são definidas individualmente de forma que o paciente encontre o significado e o sentido do seu pedido de socorro psicológico”, diz.

  • Sintomas Físicos: aceleração do batimento cardíaco, suor abundante nas mãos ou pés, tonturas, sensação de desmaio e dificuldade de respirar.
  • Sintomas Psicológicos: medo de morrer, medo de enlouquecer, medo de perder o controle sobre si, sensação de estar fora da realidade, entre outros.

“No caso da minha experiência clínica, percebo o transtorno como uma espécie de “curto-circuito” psíquico geralmente impulsionado por conteúdos emocionais que não foram resolvidos pela pessoa e a mesma reprimiu o máximo que lhe foi possível” – Sandra Aurea Hamzeh.

Muito medo de morrer

A psicóloga explica que o ataque de pânico se configura por uma ansiedade muito intensa, associada ao medo de algo ruim acontecer repentinamente, mesmo sem a presença de um estímulo que justifique essa ameaça de morte. Os sintomas são, inclusive, fisiológicos: a sensação de sufocamento, taquicardia, sudorese e desmaio desenham um cenário propício para a crença na morte durante o período de crise.

Transtorno do Pânico pode ser confundido com outras crises

Crises provocadas por uso de estimulantes – Há substâncias que podem gerar reações de pânico, ou mesmo crises de abstinência que podem provocar o quadro, e nesse caso não se pode dar esse diagnóstico.

Fobia social – Diferente do Transtorno do Pânico, que tem como característica crises recorrentes e sem um motivo aparente, a fobia social tem uma queixa bem definida que é a dificuldade, ou melhor, o sofrimento da pessoa quando exposta à observação de terceiros ao desempenhar tarefas como falar, comer, dirigir e escrever, ao ponto de impedir e prejudicar a pessoa de realizar tais tarefas. Portanto, a fobia social precisa desse estímulo definido para desencadear o ataque de ansiedade, diferente do transtorno do pânico em que os estímulos são considerados inespecíficos e indefinidos. Outra diferença, sublinha a psicóloga, é na manifestação dos quadros: a fobia social começa de forma muito discreta, dificilmente os pacientes apontam uma data ou evento a partir de quando começou, ao contrário do Transtorno do Pânico.

“A eficácia do tratamento ocorre pelo diagnóstico correto desses quadros. Sempre muito importante a avaliação médica concomitante à avaliação psicológica para descartar doenças clínicas, ao exemplo do hipertireoidismo, hipotireoidismo, doenças cardíacas, alguns tipos de convulsão, entre outros onde os sintomas se assemelham ao transtorno de pânico e podem confundir o diagnóstico” Sandra Aurea Hamzeh.

Tratamento e cura

O tratamento do transtorno é realizado com a combinação de medicações e psicoterapia. As medicações mais utilizadas são os antidepressivos e ansiolíticos para o bloqueio das crises intermitentes.

Já a psicoterapia, relata Sandra, terá a função de aumentar a compreensão do paciente sobre seus limites e motivos que o levaram às crises, o resgate de sua autonomia, o controle sobre sua vida e pensamentos, e assim a consolidação de sua cura. 

“Tudo que deixamos debaixo do “tapete” para esconder de si, uma hora aparece como certa assombração, e o trabalho psicoterapêutico terá a função de desmistificar essas emoções, absorvendo os medos e aos poucos estruturando essas memórias emocionais reprimidas ajudando o paciente admitir para si suas inseguranças e principalmente compreendendo porque teve a necessidade de reprimi-la a esse ponto” – Sandra Aurea Hamzeh.

Procure um psiquiatra ou psicólogo, pois, assim, terá os encaminhamentos necessários para fazer o diagnóstico mais completo possível. A liberdade e felicidade estão ao alcance de todos.

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