Quando acompanhamos de perto as despesas, fica muito mais fácil identificar onde estamos gastando demais. Isso ajuda a economizar, se for necessário, e a planejar a realização de um objetivo.

E, ao contrário do que muita gente pensa, nem sempre esse planejamento exige mudanças radicais na rotina, afirma Ione Amorim, economista do Idec. Mesmo para quem não tem planos específicos, organizar os gastos é uma medida fundamental para evitar o sufoco financeiro. Segundo Amorim, um erro comum é pensar que o planejamento só é necessário para quem está endividado.

A maioria (55%) das 2.952 pessoas que responderam à enquete do site da Defesa do Consumidor informou que irá entrar em 2013 com dívidas. Mas, se a tendência projetada por pesquisa da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) se confirmar, o próximo ano deve terminar um pouco diferente. A entidade estima que haverá um recuo da inadimplência de 5,9% em 2012 para 5,3% em 2013. De acordo com especialistas, organizar o orçamento familiar pode ser a saída para passar o próximo ano longe do sufoco financeiro e realizar alguns sonhos.

Confira aqui a planilha do Idec para controle do orçamento doméstico.

Dívidas no cartão de crédito?

A quem começar o ano atolado em dívidas em razão de contas no cartão de crédito, a economista sugere que se troque esta dívida por uma mais barata, por meio de um crédito de financiamento pessoal.

— O consumidor não pode incorporar o limite do cartão de crédito como se fosse dele — alerta Ione Amorim.

O primeiro passo:

Para começar o ano bem, a Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin) ressalta que é importante, em janeiro, fazer uma reunião com a família, inclusive envolvendo as crianças, para conversar sobre os sonhos realizados no ano anterior e os desejados para 2013. Para cada sonho é preciso que seja registrado o custo e quanto será guardado e em quanto tempo será realizado. De acordo com a entidade é possível se organizar para realizar até três sonhos por pessoa da família.

“Tenha bem claro aonde investir o dinheiro para a realização dos sonhos. Se a realização for em curto prazo, na caderneta de poupança; se for em médio prazo, em CDB, Tesouro Direto, fundos de investimentos; e em longo prazo, Tesouro Direto, previdência privada e ações”, ensina a entidade. Por fim, a associação diz que é preciso ajustar a vida financeira ao seu real padrão de vida, pois de nada adianta ter muitas coisas para ostentar se o resultado destas serão dívidas e um futuro incerto.

E fique atento, pois os gastos com material escolar também pedem cuidados, eles impactam consideravelmente no orçamento doméstico. A economista orienta aos pais que não deixem estas compras para a última hora, pois os riscos de acabarem comprando toda a lista sem pesquisar, no primeiro comércio que entrar, são grandes. Comportamento que, certamente, irá gerar um gasto adicional à família.

Cinco dicas para organizar o orçamento

1 – Identifique os seus gastos mensais

- Para ter uma ideia mais fiel das despesas, o ideal é fazer uma média dos gastos realizados em 2012 com as contas mais frequentes, tanto as fixas (água, luz, aluguel, condomínio etc.), quanto as variáveis (lazer e vestuário, por exemplo). Para saber a média, some quanto foi gasto com cada um desses itens em cada mês e divida por 12 (caso considere o mês de dezembro). É mais fácil fazer isso com as despesas fixas, pois no geral os comprovantes de pagamento são guardados. No caso das despesas variáveis, considere as de um mês típico.

Dica: consultar o extrato bancário ajuda a identificar os gastos feitos com cartão de débito e os saques ao longo do mês.

2 – Defina prioridades e reveja os gastos

- Para quem está no vermelho ou quer começar a poupar, não tem outro jeito: é preciso cortar gastos. Depois de identificar a média de despesas, observe quais delas podem ser reduzidas ou eliminadas. Segundo os especialistas, não dá para dizer “corte isso ou corte aquilo”, pois depende dos hábitos de cada um. É comum as pessoas pensarem em cortar apenas as despesas com lazer e entretenimento, mas não é necessário abrir mão de todos os prazeres para atingir o equilíbrio financeiro.

Dica: observe se há serviços que você paga, mas não usa muito, como o clube que não frequenta, a academia em que é “turista”, a assinatura da revista que não lê. Também é possível reduzir gastos com supermercado, levando uma lista para não perder o foco e fazendo apenas uma compra “grande” por mês.

3 – Preveja as despesas futuras

Com a média das despesas do ano e com as metas de redução de gastos já definidas, preveja quanto será gasto por mês em 2013. Não esqueça de computar os impostos e o seguro do automóvel, por exemplo. Paralelamente, registre o quanto receberá em cada mês (o salário líquido e outras formas de rendimento), considerando férias e décimo terceiro salário.

Dica: preveja gastos com presentes de aniversário, Dia das Mães, Dia das Crianças, etc.

4 – Registre todas as despesas

Ao longo dos meses, anote todos os gastos realizados, tanto os grandes quanto os pequenos, como o cafezinho na rua e a cervejinha com os amigos.

Dica: sempre que possível, pague com o cartão de débito, pois isso facilita a identificação no extrato. Quando usar dinheiro em espécie, anote o quanto antes o que foi comprado para não esquecer.

5 – Revise o orçamento

De tempos em tempos, pare e observe se está cumprindo as metas estabelecidas. De acordo com os especialistas, é normal errar em algumas previsões (principalmente no começo) e imprevistos podem acontecer. Nesse caso, refaça algumas metas.

Programa de Apoio ao Superendividamento (PAS)

O Procon-SP criou programa para ajudar superendividados. Só no primeiro mês de funcionamento, o Programa de Apoio ao Superendividamento (PAS) do Procon-SP, lançado este ano, registrou a passagem de 447 pessoas pela triagem, primeiro passo para participar do programa. Destes, 163 (36%), 83 homens e 80 mulheres, se enquadraram no perfil de superendividado.

Segundo Paulo Arthur Góes, o programa procura auxiliar o consumidor de forma completa e inclui educação para o consumo no atendimento:

— O objetivo é ajudar não só na solução do principal problema do consumidor que não consegue pagar as dívidas e tem prejuízo, inclusive, para seu sustento e o de sua família, mas também orientá-lo para que, a partir do caso resolvido, consiga manter o controle e a boa administração das contas.

Os principais problemas relatados pelos interessados que procuraram o programa no primeiro mês de funcionamento estão ligados à retenção de salário para cobrir empréstimos com débito automático na conta corrente, ao aumento do limite de crédito no cheque especial, de forma unilateral, na medida em que a conta fica negativada, utilizando o limite para cobrir empréstimos, onerando ainda mais suas contas e a venda casada de seguros para concessão de empréstimo.

De acordo com especialistas em defesa do consumidor que fazem o atendimento destes casos, os contratos que mais superendividam o consumidor são o crédito consignado, cartão de crédito e cheque especial. O PAS é a versão permanente do projeto piloto realizado no ano passado pelo Procon-SP, no qual participaram 288 consumidores em situação de superendividameto. Em seis meses houve orientação financeira, palestras e audiência com credores para renegociação das dívidas.

 Fonte: O Globo

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