Eliane não consegue mais dormir. Sente dores, fadiga e, por consequência, indisposição para qualquer atividade. Sua dor generalizada tem nome: é a fibromialgia. Eliane é um exemplo, mas poderia ser você. Hoje, 10% dos brasileiros sofrem com essa síndrome. As mulheres correspondem a 80% dos casos e ainda não existe uma causa única para o diagnóstico.

No passado, as pessoas que apresentavam dor generalizada e uma série de queixas mal definidas não eram levadas muito a sério. Atualmente, sabe-se que a fibromialgia é uma forma de reumatismo, pois envolve músculos, tendões e ligamentos, associada à sensibilidade do indivíduo frente a um estímulo doloroso. O que não quer dizer que acarrete deformidade física ou outros tipos de sequela.

A síndrome pode prejudicar a qualidade de vida e o desempenho profissional, motivos que plenamente justificam que o paciente seja levado a sério em suas queixas. Como não existem exames complementares que por si só confirmem o diagnóstico, a experiência clínica do profissional que avalia o paciente é fundamental para o sucesso do tratamento.

Pesquisas têm também procurado o papel de certos hormônios ou produtos químicos orgânicos que possam influenciar na manifestação da dor, no sono e no humor. Muito se tem estudado sobre o envolvimento na fibromialgia de hormônios e de substâncias que participam da transmissão da dor. Essas pesquisas podem resultar em um melhor entendimento dessa síndrome e, portanto, proporcionar um tratamento mais efetivo e até mesmo a sua prevenção.

Sintomas

A dor muscular é uma manifestação muito frequente na fibromialgia, podendo ser difusa ou acometer preferencialmente algumas regiões, como o pescoço e os ombros e, então, propagar-se para outras áreas do corpo. Ela pode se manifestar com ardência, dor em pontadas, rigidez e câimbras, que variam de acordo com o horário do dia, intensidade dos esforços físicos realizados, condições climáticas, aspectos emocionais e ligados ao padrão do sono.

Fonte: Apsen

Outras indicações da doença são: fadiga intensa (síndrome da Fadiga Crônica), irritação intestinal (síndrome do cólon irritável), dor de cabeça (cefaleia), condições que causam o movimento involuntário das pernas durante o sono (síndrome das pernas inquietas), presença de irritabilidade na bexiga e, ainda, inchaço das mãos e dedos arroxeados em ambientes frios (fenômeno de Raynaud). Não se pode deixar de mencionar que as alterações do humor podem resultar em quadros de ansiedade e / ou depressão.

Se você apresentar queixas de dor muscular por um período maior que três meses consecutivos, procure o seu médico para que o diagnóstico correto seja estabelecido.

Como o diagnóstico muitas vezes não é preciso, foram propostos critérios que são adotados internacionalmente, desde 1990, para o diagnóstico da fibromialgia. Esses critérios baseiam-se na presença de dor generalizada e de pontos padronizados que são pesquisados pelo médico. A presença dos pontos dolorosos é o achado primordial do exame físico.

O paciente pode não estar ciente da exata localização desses pontos dolorosos até o momento em que eles sejam especificamente pesquisados durante o exame médico. Não existem exames específicos laboratoriais ou radiológicos que permitam diagnosticar a síndrome. Esses testes apenas ajudam quando definem outro diagnóstico e excluem a fibromialgia. Portanto, o mais importante para o diagnóstico são a história e o exame físico.

Mitos e Realidade – o reumatologista Dr. Roberto Heymann fala da doença: 

É uma doença nova?

Mentira. A fibromialgia é conhecida há mais de 100 anos, mas se davam nomes diferentes para ela e não havia um consenso de como fazer o diagnóstico da doença. O nome mais comum que se usava era “fibrosite”.

Existe cura?

Infelizmente, ainda não. Porém, com o tratamento atual é possível ficar sem dor ou com nível muito baixo de dor. Os outros sintomas como a fadiga, a alteração do sono e a depressão também podem ser tratadas adequadamente. Mais do que em outros problemas, o tratamento depende muito do paciente. O médico deve atuar mais como um guia do que somente uma pessoa que fornece remédios. É muito importante que o paciente entenda que a atividade física regular terá que ser mantida para o resto da vida.

Como é tratada?

O tratamento da fibromialgia divide-se em quatro pontos principais:

a) Exercícios: este é o ponto mais importante do tratamento. A atividade física regular é o único tratamento capaz de restaurar a pessoa para uma vida normal. Todos os outros passos do tratamento devem ter somente um objetivo: deixar o paciente mais disposto para fazer atividade física. Deve ser realizada todos os dias, de duas maneiras: um exercício que mexa todo o corpo (aeróbico), como caminhar, nadar, correr ou praticar hidroginástica e exercícios que promovam o alongamento muscular. Os exercícios devem ser iniciados lentamente, e só depois de algum tempo é que se deve chegar ao tempo total: 30 minutos por dia. Mesmo depois que o paciente chegue a este nível de exercícios, pode haver uma demora de até um ano para que os benefícios comecem a aparecer. Por isso, quanto mais cedo se começar a atividade física, melhor.

b) Tratamento do sono: é feito com medicação. O objetivo é melhorar a qualidade do sono, não a sua quantidade.

c) Tratamento da dor: embora não exista um analgésico que tire toda a dor em um paciente com essa doença, este é um item importante no tratamento para conseguir realizar atividade física.

d) Controle da ansiedade/depressão: como foi dito anteriormente, não se deve perder tempo pensando se as manifestações de alterações do humor, desânimo e tristeza são a causa ou a consequência da síndrome. Se estes sintomas estão presentes, devem ser tratados adequadamente com medicação e, se o caso for grave, o paciente pode ser encaminhado para um psiquiatra. Existem técnicas psicológicas, como a terapia cognitivo-comportamental, que têm sido estudadas na fibromialgia, com bons resultados. São técnicas de manejo de estresse e de como lidar com as limitações que a doença traz à vida das pessoas.

*Dr. Eduardo S. Paiva, Reumatologista Chefe do Ambulatório de Fibromialgia do HC-UFPR, Curitiba.

Informações divulgadas pela Apsen. Confira mais no site Apsen/Fibromialgia

COMENTÁRIOS:

Comentários

6 Respostas para “Fibromialgia – o que é e como tratar”
  1. Larissa disse:

    Fibromialgia tem cura?
    o que fazer na hora da dor?

  2. Cristiane Santana disse:

    Ouvi de umas colegas de trabalho que tomo remédios demais e por que quero, pois, a fibromialgia já foi estabelecida como uma questão psicológica. Fiquei muito triste e chateada, por que as dores que sinto, o cansaço e a indisposição são reais e me impedem de fazer muitas coisas que tenho vontade.

  3. wilma menezes disse:

    Ola Dr. Roberto. Li uma postagem muito boa sobre FM. Pois bem, tenho fibro desde 2003, cada ano piora, já passei por uns 4 profissionais mas todos são a mesma medicação ou parecidas ou mais fracas que são a pregabalina e a duloxetina, pra mim não funciona, nas crises fortíssimas é emergência e ser medicada com a DIMORF, pelo menos me deixa umas 10 horas sem dores. O maior problema é que sou ASMÁTICA e altamente alérgica a anti-inflamatórios e relaxantes musculares. Todos me afirmaram que pra mim não há tratamento. Isso me deixa triste por ver que nossos profissionais aqui em Belem, não sabem, cuidar de pacientes atípicos. Já fiz de tudo: acupuntura: elevou muito a minha pressão, hidroterapia a pressão da agua me leva a falta de ar. fisioterapia: so fazem aquele tratamento com choques que tambem não resolve nada. Cheguei a ouvir que devo me acostumar com isso. Acho que não é por ai. Qual a sua opinião a respeito? Grata.

  4. fabricio disse:

    dor agulhadas na pele, coceira, sensação de queimação nas maos e pés…complicado!!!!

  5. Neusa disse:

    Dr, com todo respeito ao seu conhecimento e estudo, mas lhe digo que tem cura sim e total….mas nao na alopatia e sim com a natureza…me desculpe mas não resisti em dizer…o senhor poderia ajudar muitas pessoas…caso se inteirasse dos meios naturais. Grata

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