São Paulo e Rio de Janeiro foram consideradas as cidades mais caras da América para se viver, segundo ranking do custo de vida da consultoria Mercer. Mesmo com o custo de vida elevado, os brasileiros não têm o hábito de poupar dinheiro.

Pesquisa do Ibope mostra que de cada dez, só três utilizam a poupança para acumular algum dinheiro e 68% não guardam absolutamente nada do que ganham. Juntando isto ao consumo estimulado pelo governo para aquecer a economia ante a crise internacional, as dívidas aumentam. Se queremos criar uma população que não fique endividada e tenha capital reservado para a segurança da família, algumas mudanças precisam ser feitas.

Entre os estudiosos de finanças, cresce a ideia de que ensinar às crianças como e por que economizar ajudará a mudar o comportamento dos brasileiros em relação à poupança. Estudo feito pelo Banco Mundial no Brasil entre agosto de 2010 e dezembro de 2011 mostra que os jovens que tiveram aulas sobre poupança e orçamentos domésticos aumentaram a intenção de poupar.

De acordo com o professor Bento Félix, chefe do Departamento de Economia das Faculdades Integradas União Pioneira de Integração Social (Upis), do Distrito Federal, a população adulta também precisa ter maior acesso à educação financeira, de maneira a equacionar a relação entre renda e gastos por meio de um planejamento.

“Para cada tipo de gasto é preciso ter um comparativo entre a renda e o quanto se tem disponível para a despesa. Mas o que tem acontecido é que as pessoas estão gastando acima do limite”.

Para quem pretende não ter dor de cabeça no futuro com as contas, o importante é aprender a organizá-las antes mesmo de partir para o consumo. Uma saída é recorrer aos vários cursos de educação financeira gratuitos disponíveis na internet. Muitos são de instituições já conhecidas dos brasileiros, como o BM&F Bovespa, a Fundação Getulio Vargas (FGV) e o Banco Central.

Para o diretor da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Louis Frankenberg, existem alguns fatores importantes que podem ainda ser observados por quem precisa organizar as finanças e se planejar.

  1. Pense em longo prazo, como na aposentadoria. Tem que ter o suficiente para manter a vida confortável durante os 20 ou 30 anos de aposentado. Calcule quanto tempo falta para aposentadoria e qual o patrimônio financeiro acumulado.
  2. O segundo ponto a ser observado é o comprometimento da renda com moradia e quanto é preciso para complementar, seja com o plano de previdência privada ou de outra forma, o valor recebido pela aposentadoria do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
  3. Outra sugestão é que a pessoa deve se perguntar se a melhor educação para si e seus filhos irá custar muito dinheiro (poderá absorver de 20% a 30% de suas receitas líquidas) e se esse fator é levado em consideração no seu orçamento mensal.
  4. É importante que cada pessoa inicie imediatamente um programa de gradativa acumulação patrimonial para não ter surpresas no futuro. Para isso, os fundos de previdência complementar são importantes, mas é preciso fazer outros investimentos, de forma diversificada, como em caderneta de poupança, CDBs, fundos de ações, entre outros.
  5. Se for investir, conte com a ajuda de uma pessoa neutra, de confiança e com bastante conhecimento.

COMENTÁRIOS:

Comentários

Uma Resposta para “Dicas para organizar as finanças e planejar seus gastos”
  1. advogado rj disse:

    Os brasileiros deixam-se seduzir facilmente pelas tentações do consumo, e compram qualquer novidade que aparece, pelo simples prazer de ' ter' a novidade propriamente dita. Nas nações ditas desenvolvidas a população preza pelo acúmulo de dinheiro, pensando em gastos futuros , ou numa poupança robusta para gastos importantes com filhos. Isso deveria ser estimulado por aqui

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