O celular já foi suspeito de causar câncer. Ninguém sabia ao certo as consequências da exposição frequente às ondas eletromagnéticas do aparelho. Foi então que, em junho deste ano, a Organização Mundial da Saúde classificou-o no grupo ‘agentes possivelmente cancerígenos’ – o que significa que há informações que precisam ser desvendadas sobre os riscos – mas o que causou grande alarde e interpretações distorcidas.

Isso porque a OMS cria listas a partir de três grupos: o 1 – inclui os agentes comprovadamente cancerígenos; o 2A – estão os agentes provavelmente cancerígenos; e o 2B – agentes possivelmente cancerígenos (grupo no qual os celulares foram incluídos).

O que queriam dizer era que não havia informações precisas, talvez pela dificuldade de calcular as consequências (se houverem) em longo prazo de um objeto que não está disponível há tanto tempo assim. O problema estaria nos campos eletromagnéticos de radiofrequência, que poderiam aumentar o risco de ter um tipo de câncer cerebral, associado ao uso de telefone celular em longo prazo.

Novo estudo diz que o aparelho móvel não aumenta o risco de câncer no cérebro

Uma pesquisa sobre as taxas de câncer em um dos maiores grupos de usuários de celular já pesquisados, não encontrou nenhuma diferença nas taxas em comparação com pessoas que não utilizam o aparelho. É o segundo maior estudo deste ano para descartar qualquer alteração nas taxas da doença.

O estudo dinamarquês investigou dados sobre mais de 358.000 usuários por mais de 18 anos. Eles estudaram toda a população dinamarquesa com mais de 30 anos, nascida na Dinamarca depois de 1925, por coleta de informações sobre assinantes de celular e sobre o Registro Oncológico do país.

Pesquisadores liderados pelo Institute of Cancer Epidemiology, em Copenhague, relataram que as taxas de câncer no sistema nervoso central foram quase as mesmas em usuários de celular de longo prazo e em não-usuários.

Eles analisaram dados de 10.729 tumores do sistema nervoso central, entre 1990 e 2007, segundo o British Medical Journal. Quando os números foram restritos a pessoas que utilizaram os celulares por mais tempo – 13 anos ou mais – as taxas de câncer eram quase as mesmas entre os não assinantes.

Os pesquisadores disseram que não observaram risco total aumentado para tumores do sistema nervoso central ou para todos os tipos de câncer combinados em usuários de telefone celular.

“No entanto, como um pequeno a moderado aumento no risco para os subgrupos de usuários que utilizam excessivamente os celulares após mais de 15 anos não pode ser descartado, estudos com populações de grande porte, nos quais o potencial de erro de classificação de exposição e viés de seleção são minimizados, estão garantidos”, completam.

Ativistas insistem que a pesquisa tem “falhas graves” e que falsamente irá tranquilizar os usuários de celular

Eles dizem que o estudo dinamarquês excluiu as pessoas que usam excessivamente o celular para negócios e incluiu como não-usuários as pessoas que começaram a usar o celular mais tarde.

Denis Henshaw, Professor de Efeitos de Radiação Humana, da Universidade de Bristol, disse que o estudo é “inútil”, e os próprios pesquisadores admitiram que não-usuários podem ter sido classificados erroneamente, o que poderia influenciar os resultados.

Vicky Fobel, diretor de MobileWise, disse: “Tudo isso mostra que as conclusões estão enganando o público, implicando que os usuários de telefone estão claros sobre o assunto. Todos os outros estudos que analisaram os riscos em longo prazo encontraram uma ligação entre o uso do telefone e tumores cerebrais. Este estudo dá falsa confiança e distrai-nos do importante trabalho de ajudar o público, especialmente crianças, para reduzir o risco do uso da telefonia móvel.”

E agora? Tudo na mesma?

COMENTÁRIOS:

Comente

Deixe aqui sua opinião...