Há situações exclusivas que tornam as mulheres mais vulneráveis a algumas doenças vasculares. São elas: gestação; uso de anticoncepcional; e reposição hormonal durante a menopausa.

Quem explica é Manuel Julio Cota, presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular – Regional Rio de Janeiro (SBACV-RJ).

A insatisfação feminina com as varizes nas pernas é, com certeza, o fator que mais contribui para a visita ao consultório de angiologistas e cirurgiões vasculares.

A grande maioria procura suporte médico para se ver livre dos vasinhos dilatados e tortuosos que comprometem a beleza das coxas e panturrilhas.

“Não existe problema em querer ficar bonita, mas a mulher deve entender que a questão ultrapassa o fator estético. Cuidar das varizes é cuidar da saúde. Isso porque a negligência em relação ao tratamento pode levar ao desenvolvimento de complicações, como flebites, trombose venosa, alterações de pele: pigmentações, eczema e úlceras nos membros inferiores”, alerta Manuel Julio.

Salto alto deve ser reservado para situações especiais

Para grande parte das mulheres, uma das expressões máximas da feminilidade é, sem dúvida, o salto alto. Neste ponto, algumas costumam abusar do uso de saltos altíssimos e finos. Porém, este hábito pode ser muito prejudicial à saúde vascular.

Embora não existam estudos conclusivos sobre a relação entre varizes e o uso de sapatos com salto, sabe-se que o caminhar natural (aquele que proporciona a correta contração da panturrilha, garantindo que o sangue das pernas seja bombeado de forma eficiente de volta ao coração) é comprometido pelo salto.

O fluxo sanguíneo dos membros inferiores sofre as consequências e pode haver formação de coágulos ou trombos. “O uso contínuo de saltos muito altos é negativo. Por isso, a mulher deve usar saltos de no máximo três ou quatro centímetros no dia a dia. Saltos agulha devem ficar guardados para uma ocasião especial”, orienta o presidente da SBACV-RJ.

Hormônios femininos

Algumas doenças vasculares têm relação direta com hormônios femininos. São muitas as alterações na quantidade de hormônios durante a vida da mulher, como, por exemplo, durante a gestação e a menopausa.

O próprio uso de pílulas anticoncepcionais é indicado como fator que influencia no desenvolvimento de doenças do sistema circulatório, como as varizes.  Todos os anticoncepcionais orais e injetáveis são hormonais.

Esses hormônios atuam na parede venosa, enfraquecendo e dilatando, e nos paciente com predisposição para varizes, agravam o quadro. As mulheres com histórico familiar de trombose devem ter cuidado redobrado quando usarem as pílulas anticoncepcionais, pois estas favorecem a trombose. É recomendado ficar atenta e visitar regularmente o angiologista.

Gravidez e saúde vascular

Durante a gestação, ocorre o aumento natural da circulação de sangue pelo corpo principalmente na região pélvica, o que sobrecarrega o sistema venoso. Além disso, os níveis de progesterona e estrogênio, hormônio que dilata as veias, também sobe, contribuindo para o aparecimento de varizes.

Outra situação característica da gravidez é o crescimento do útero mês após mês, levando à compressão das veias do abdômen e da região pélvica. Este quadro é um obstáculo para o sangue que deve subir das pernas retornando para o coração.

Por isso, Manuel Julio dá dicas para gestantes evitarem as tão temidas varizes. “Praticar atividades físicas leves e prazerosas, como a caminhada, é ótimo para mulheres grávidas. Na maioria dos casos, o uso de meias  elásticas pode ser indicado, principalmente nos meses finais da gestação. Outra dica é repousar com as pernas elevadas e dormir virada para o lado esquerdo reduzindo a compressão da veia cava, o que facilita o retorno do sangue”, finaliza o presidente da SBACV-RJ.

De qualquer maneira, como cada gravidez é única, cada gestante deve procurar o seu médico para receber as orientações adequadas.

——-> As varizes têm como fator preponderante a questão da hereditariedade. Isso significa que pessoas com histórico desta doença na família têm muitas chances de desenvolver o problema, mesmo que tenham hábitos de vida saudáveis.

Mesmo assim, deve-se evitar fatores de risco para minimizar o problema: sedentarismo, obesidade e tabagismo. Outros fatores como o avanço da idade, por exemplo, também contribuem para o surgimento do problema.

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