Com o anúncio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre a audiência pública em que discutirá o cancelamento do registro de medicamentos contra a obesidade que contenham sibutramina e derivados de anfetamina, abre-se discussões para o tratamento da doença que é considerada um dos maiores problemas de saúde pública mundial.

Embora o tema deva receber parecer definitivo apenas no dia 23 de fevereiro, data da audiência da Agência, médicos especialistas já discutem o impacto da medida para os milhares de obesos em tratamento no país.

Segundo o dr. José Afonso Sallet, Membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), a decisão sobre a retirada de circulação destes medicamentos deve ser acompanhada de propostas reais para o atendimento das necessidades dos obesos, que não podem ficar a deriva de um tratamento.

“A recomendação de que a obesidade deva ser tratada com dieta e exercício, embora indiscutível, é muito simplista e não resolve o problema de milhares de pessoas que definitivamente não conseguem reduzir o peso sem auxílio mais efetivo”, relata.

Dados do IBGE comprovam que a obesidade aumenta a cada ano, inclusive na infância. Na contramão do problema, a população busca incessantemente métodos para sair do sobrepeso e, consequentemente, diminuir os riscos de doenças crônicas causadas por este.

Porém, o índice de resultados apenas com dietas e exercícios é de menos de 10%, fazendo com que as dificuldades em perder peso façam o indivíduo desistir até mesmo dos hábitos saudáveis, agravando ainda mais a sua obesidade.

Dr. Sallet salienta que a indicação da Anvisa projeta a ideia de que a obesidade é uma condição apenas de força de vontade, quando na verdade está ligada – em sua grande maioria de casos – a fatores mais complexos, incluindo a síndrome metabólica.

O que preocupa os médicos é que, sem a possibilidade de ingerir os inibidores, haja um aumento no número de cirurgias de redução do estômago – sobrarão poucas alternativas para tratar a obesidade.

A cirurgia bariátrica, até agora é indicada para pacientes com IMC (índice de massa corporal) acima de 35 e doenças associadas, como diabetes e hipertensão.

Porém, já está andamento o estudo sobre a possibilidade de realizar a operação em pessoas com IMC entre 30 e 35, basta que se comprove a eficácia.

A opinião dos profissionais se divide. Uns acreditam que o medicamento resolve parte do problema, outros de que a cirurgia é segura e eficaz.

Dentre as medidas neste novo cenário há também o método do balão intragástrico. O produto é um dispositivo cilíndrico de silicone, colocado por via endoscópica dentro do estômago e preenchido com soro fisiológico estéril, com volume ajustado de acordo com a necessidade de cada individuo (400 ou 600 ml).

O tratamento tem o benefício da simplicidade de aplicação, segurança e não impedimento da absorção dos nutrientes dos alimentos pelo corpo.

Com a possibilidade de perda média de 12 a 15% do excesso de peso em seis meses, que é o período para a permanência do balão no estômago, a pessoa tem tempo para a reeducação de hábitos alimentares e pratica de atividades físicas.

“O apoio multidisciplinar é fundamental em qualquer tratamento contra a obesidade e com os devidos estímulos e orientações profissionais, o indivíduo consegue chegar aos seus objetivos de forma saudável e com muito mais chances de sucesso”, completa dr. Sallet.

*Dr. José Afonso Sallet é Mestre em Cirurgia do Aparelho Digestivo pela UNICAMP-SP, Especialista em Cirurgia Laparoscópica pelo Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva (CBCD), Coordenador do Protocolo de Balão Intragástrico pelo Ministério da Saúde, Membro Titular da Federação Internacional para a Cirurgia da Obesidade (IFSO), Membro Titular da Sociedade Americana de Cirurgia e Endoscopia (SAGES), Diretor do Instituto Sallet de Medicina (Departamento de Cirurgia Bariátrica e Metabólica).

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COMENTÁRIOS:

Comentários

3 Respostas para “Proibição de inibidores de apetite: novas medidas contra a obesidade passam a ser analisadas”
  1. Thiago Aguiar disse:

    Realmente, essa idéia de proibir inibidores de apetite é um caso sério. Será que é justo, em um mundo de tantas ofertas "engordativas", como fast foods, às margens de um cotidiano stressante onde ninguem tem tempo para nada, restringir soluções MÉDICAS ao controle da obesidade???
    Certamente, tal providência será alvo de muita controvérsia…

  2. Juliana disse:

    Adorei o blog. Sou nutricionista e acho esse ponto da obesidade muito importante. O governo em sí deveria reavaliar as medidas contra essa doença, existem inúmeras soluções para controla-la. Abs.

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