A realização de ações em empresas para incentivar a alimentação saudável aumenta o consumo de frutas, legumes e verduras entre os funcionários.

A conclusão é de um estudo feito na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP. O trabalho, realizado pelo do nutricionista Daniel Bandoni e orientado da professora Patrícia Constante Jaime, envolveu cerca de 20 mil trabalhadores de 15 empresas de São Paulo/SP, cadastradas no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), do Ministério do Trabalho e Emprego, que oferecem refeições aos seus funcionários.

Para lançar a ideia

A intervenção teve início com foco nos gestores dos restaurantes, com ações para demonstrar a importância da inclusão de frutas, legumes e verduras nos cardápios. “Os preparadores de alimentos participaram de oficinas culinárias, onde aprenderam receitas e técnicas de apresentação das refeições”, explica Bandoni.

Para os funcionários, foi colocado um álbum nos refeitórios com informações sobre alimentação saudável. “Nas áreas de distribuição das refeições, marcadores indicavam as opções mais saudáveis, como saladas e frutas”, conta o nutricionista.

Além disso, a orientação sobre hábitos alimentares adequados se estendeu para outros locais, como os jornais internos, cardápio dos refeitórios e em cartazes espalhados nas dependências das empresas.

Resultados

Os cardápios passaram a oferecer aproximadamente 50 gramas a mais de legumes, verduras e frutas. Também se observou mais fibras nas refeições, decorrente da maior presença de frutas e hortaliças.

“Houve ainda uma redução significativa do percentual de gordura, indicando uma possível extensão dos efeitos benéficos das intervenções a outros componentes da alimentação”, explica Daniel Bandoni.

Consumo

Antes da implantação das ações, o consumo médio de frutas, legumes e verduras entre os trabalhadores pesquisados era de 104 g por pessoa no almoço. Depois da intervenção, esse valor aumentou para 123 g.

Está bom, mas ainda falta melhorar: O consumo recomendado é de 400 g por dia!

O ambiente faz a diferença

De acordo com o nutricionista, a pesquisa comprovou que o ambiente de trabalho é um bom cenário para incentivar o estilo de vida saudável, pois é um local em que há bom acesso à informação.

“O estudo abordou a questão da alimentação, mas também é possível promover outras ações voltadas à qualidade de vida, como a promoção de atividades físicas”, ressalta Bandoni.

Estímulo correto

Bandoni observa ainda que algumas empresas contam com máquinas que vendem refrigerantes e salgadinhos, um estímulo à alimentação inadequada, segundo o pesquisador. “O ideal seria a implantação de um refeitório para tornar a oferta de alimentos adequada”, aponta.

O nutricionista ainda ressalta que a distribuição de vale-refeição também não garante que os funcionários venham a se alimentar de forma correta.

Falando em comida no trabalho…

A empresa responsável pela franquia da rede McDonald’s foi condenada, pela 3ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT4), do Rio Grande do Sul, a indenizar, por danos morais, um ex-gerente que engordou mais de 30 quilos durante os 12 anos em que trabalhou para a empresa.

De acordo com o processo, o ex-gerente ingressou no emprego pesando entre 70 e 75 quilos e saiu com 105 quilos. Segundo entendimento do tribunal, a empresa contribuiu para que o funcionário chegasse ao quadro de “Obesidade 2″, lhe trazendo problemas de saúde.

Por maioria de votos, os desembargadores confirmaram parcialmente a sentença do primeiro grau, reduzindo apenas o valor da indenização, de R$ 48 mil para R$ 30 mil.

Conforme o Desembargador João Ghisleni Filho, relator do acórdão, as provas indicaram que o ex-gerente era obrigado a degustar produtos da lanchonete: alimentos calóricos, como hambúrguer, batata frita, refrigerante e sorvetes. Além disso, no horário de intervalo, a empresa fornecia um lanche composto de hambúrguer, batatas fritas e refrigerante.

Fatores genéticos e um possível sedentarismo do funcionário também foram apontados como causa da obesidade, porém, não eximiram a responsabilidade da empresa.

Resposta

O McDonald’s informou, em nota, que a empresa responsável pela franquia em que o gerente trabalhava, a Kalloponi Comércio de Alimentos, “está trabalhando para avaliar as medidas jurídicas em relação ao caso, que ainda tramita em primeira instância”.

Conforme o comunicado, “a rede oferece grande variedade de opções de alimentos e cardápios balanceados para atender às necessidades diárias de seus funcionários, de acordo com a legislação brasileira.”

* Com informações da Agência USP e OESP.

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