O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, informou que a Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária está concluindo uma regulamentação para evitar a venda de antibióticos sem receita médica.

As mudanças serão feitas para coibir o uso indiscriminado desses medicamentos, que leva as bactérias a ficarem mais resistentes, fazendo com que o corpo humano não reaja tão bem no caso de infecções graves.

Para Temporão, esse pode ter sido o motivo para o surgimento da superbactéria KPC. O ministro acredita ainda que tenha havido falhas no processo de controle de infecção hospitalar.

“Infelizmente, no Brasil, ainda temos uso indiscriminado de antibióticos. A má prescrição é que leva a situações como essa. Claro que temos que avaliar também aspectos internos da dinâmica dos hospitais, que podem ter levado a falhas do processo de controle de infecção hospitalar”, afirmou.

Hoje, o paciente precisa apenas de uma receita simples para comprar a medicação, mas muitas farmácias ignoram essa exigência e vendem o produto sem prescrição médica.

Isolamento

Com aumento de casos da superbactéria KPC em São Paulo, hospitais estão isolando mesmo pacientes que têm o micro-organismo, mas não apresentam sintomas. A medida já tomada por alguns hospitais, como Albert Einstein, Sírio-Libanês e Oswaldo Cruz.

De acordo com reportagem do jornal Folha de SP (20.10.2010) em dez hospitais públicos e privados de São Paulo houve o registro de ao menos 90 casos da KPC, desde o início do ano.

No Edmundo Vasconcellos, por exemplo, houve nove casos, com três mortes. No Sírio-Libanês, foram cinco casos, no Oswaldo Cruz, três, e no Albert Einstein três.

A regra é clara: pacientes que estão internados há muito tempo (dentro e fora da UTI) ou que usam vários tipos de antibiótico devem fazer exames para a detecção da KPC, mesmo sem sintomas da infecção.

Se a KPC estiver presente, o paciente é isolado em um quarto até obter alta.

Notificação obrigatória

Ontem, 19, em comunicado aos hospitais, a Secretaria Municipal da Saúde solicitou que surtos da bactéria superresistente aos antibióticos sejam notificados imediatamente ao núcleo de controle de infecção hospitalar.

A secretaria informa que não foi notificado nenhum surto de KPC e que desconhece casos isolados porque o problema ainda não é de notificação compulsória.

A Anvisa deve tornar a notificação obrigatória a partir desta sexta.

Falhas

Um dos grandes problemas enfrentados pelo país na prevenção de surtos das superbactérias como a KPC é a falta de laboratórios de microbiologia com capacidade de isolá-las.

Como já informou o Blog da Saúde, um levantamento feito pela Anvisa em 2007 revelou problemas graves em laboratórios, como falta de equipamento básico, pessoal capacitado para fazer controle de qualidade e segurança. Para autores do relatório, as graves deficiências fazem com que resultados dos exames, em muitos locais, não sejam confiáveis.

Os problemas não param por aí. Um outro estudo feito em hospitais paulistas mostrou que 35,4% deles não controla o uso de antibióticos.

O que você sabe sobre a KPC?

A bactéria KPC (Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase) é um organismo super-resistente a antibióticos, que vem sendo acompanhado por especialistas em vários países.

A transmissão acontece principalmente por conta da pouca higienização das mãos e pode ocorrer quando um paciente em estado grave é transportado de um hospital para o outro, por exemplo.

Os primeiros registros de KPC no Brasil são de 2005, em São Paulo. Há casos no Paraná, Rio, Recife, João Pessoa, Vitória e Rio Grande do Sul. Nos EUA, o problema é endêmico em várias regiões.

Esta é a primeira vez que é registrado um surto de superbactéria no País. Há tratamento, mas os pacientes precisam ser submetidos a antibióticos mais fortes e mais caros.

*Com informações da Agência Brasil e FSP.

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