Os hospitais brasileiros serão obrigados a partir de agora a comunicar às autoridades sanitárias a ocorrência de infecção por superbactérias entre seus pacientes.

A medida faz parte do Plano Nacional de Microagentes Multirresistentes, um projeto em elaboração desde o início do ano, mas que foi adiantado diante do recente avanço no País da KPC (Klebsiella pneumoniae carbapenemase), uma superbactéria resistente à maior parte dos antibióticos disponíveis no mercado.

O plano está sob coordenação da Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária e tem como meta controlar a propagação das superbactérias no Brasil.

No Brasil

A Anvisa já foi notificada sobre surtos provocados pela KPC em hospitais do Distrito Federal, onde a superbactéria já pode ter causado 18 mortes este ano. No entanto, os próprios integrantes da agência reconhecem que há vários outros casos no País.

Só no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-USP) há pelo menos 70 registros de pacientes que apresentaram, desde 2008, a infecção.

O Laboratório de Pesquisa de Resistência Bacteriana da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) confirmou KPC também em amostras vindas de João Pessoa, Recife, Vitória, Rio e Rio Grande do Sul.

Problemas

Os pacientes que foram infectados com a superbactéria e já estão debilitados, não respondem ao tratamento tradicional, necessitando de drogas altamente tóxicas ou que, por serem muito caras, nem sempre estão disponíveis na rede pública.

Além disso, um levantamento realizado pela Anvisa (2007) em 467 laboratórios revelou problemas graves, como a falta de equipamento básico, pessoal capacitado para fazer controle de qualidade e segurança. Para autores do relatório, as graves deficiências fazem com que resultados dos exames, em muitos locais, não sejam confiáveis.

Ao mesmo tempo, a superbactéria encontra terreno fértil para a proliferação nos hospitais por falta de higiene.

Desafio

O problema será encontrar mecanismos para garantir a melhora de toda rede. São 1.144 hospitais que têm pelo menos 10 leitos de UTIs.

“A meta será melhorar o fluxo de informação e trazer todas as condições para que laboratórios de referência tenham condições de atender adequadamente a demanda, que irá crescer”, informa a chefe da Unidade de Investigação e Prevenção e Efeitos Adversos da Anvisa, Janaína Sallas.

O plano trará um diagnóstico das necessidades dos laboratórios, com previsão para investimento nesta área. Um estudo piloto foi feito a partir de 2004 em 145 hospitais de referência no País. Deficiências foram encontradas e, de acordo com Janaína Sallas, várias melhorias já foram realizadas.

Preparado pela área técnica, o plano será apresentado para direção da Anvisa e para o Ministério da Saúde. Os hospitais que não comunicarem às autoridades sanitárias serão punidos por lei.

Prevenção

Para prevenir a superbactéria, a orientação é que os hospitais aumentem os cuidados com a higienização dos ambientes e orientem os visitantes a lavar sempre as mãos ao chegar e sair. O trabalho de prevenção se baseia em recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS).

A preocupação da classe médica com relação às superbactérias é grande, já que não há previsão de novos antibióticos nos próximos cinco anos. Há dois ou três tipos de medicamentos disponíveis no mercado que podem curar infecções por KPC em 30% a 40% dos casos.

No Brasil, os primeiros registros de KPC são de 2005, em São Paulo.

Fonte: Folha de São Paulo

* Este post contém informações da FSP e OESP.

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