Os novos rumos e investimentos para prevenção e tratamento da Aids foram apresentadas durante a 18ª Conferência Internacional sobre a Aids, que teve início na segunda-feira, 18, e termina amanhã, 23, na capital austríaca, Viena.

Acompanhe os principais pontos, pesquisas e avanços apresentados:

TRATAMENTO PRECOCE

O tratamento precoce com o coquetel antiviral reduz em 75% o risco de morte de pacientes com HIV.

A conclusão é de um estudo realizado no Haiti, com 816 soropositivos assintomáticos, com CD4 de 280 por milímetro cúbico de sangue.

Metade do grupo iniciou o tratamento duas semanas após o diagnóstico e a outra metade teve de esperar a contagem de CD4 chegar a 200.

O estudo durou 21 meses e teve de ser interrompido por razões éticas óbvias: o adiamento da terapia havia quadruplicado o risco de morte no grupo que demorou mais para iniciar o tratamento!

O nível de CD4 e o teste de carga viral (que mede quantidade de HIV no sangue) são os exames mais usados para decidir o início da terapia com os antirretrovirais, que inibem a reprodução do HIV.

No Brasil, 43% dos soropositivos iniciam a terapia tardiamente – quando a contagem das células de defesa do organismo (CD4) está muito baixa.

O recente estudo confirma o que outros trabalhos observacionais já tinham constatado: para reduzir as mortes, a terapia deve ser iniciada com o CD4 menor que 350 células por milímetro cúbico de sangue.

Em abril, o Brasil passou a adotar esse critério, a exemplo do que fazem os países europeus. Antes, a terapia era indicada quando o CD4 estava próximo a 200. Nos EUA, o tratamento é iniciado ainda mais cedo, com o CD4 abaixo de 500 ou tão logo a pessoa descubra ser soropositiva.

DIAGNÓSTICO TARDIO

O principal problema no Brasil é o diagnóstico tardio. Cerca de 630 mil brasileiros são portadores do vírus HIV, mas 255 mil ainda não sabem disso, segundo o Ministério da Saúde.

Assim, muitas pessoas procuram ajuda quando já estão doentes ou com CD4 baixíssimo. A maioria dos pacientes descobre o HIV quando procura o serviço de saúde em razão de outra doença.

GRAVIDEZ E AMAMENTAÇÃO

O tratamento antirretroviral desde o início da gravidez e durante o período de amamentação pode reduzir para 5% ou menos o risco de transmissão do vírus HIV da mãe para o filho.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), os medicamentos antirretrovirais devem ser usados a partir da 14ª semana de gestação até o final do período de amamentação. Quanto antes o tratamento começar, menos chances há de o feto ou o recém-nascido ser contaminado.

A OMS aconselha que o bebê seja amamentado até o final do primeiro ano de vida. A organização também lembra que mais mulheres precisam fazer testes voluntários de HIV e ser assessoradas antes de terem os primeiros sintomas.

PACIENTES EM TRATAMENTO

A instituição ainda informou que cerca de 5,2 milhões de pessoas soropositivas receberam o tratamento contra o HIV até o final de 2009. No final de 2008 eram 4 milhões.

“Nós estamos muito entusiasmados por esse resultado, é o maior crescimento que vimos em um único ano”, afirma Gottfried Hirnschall, diretor do departamento de HIV/Aids da OMS.

CUSTO ANUAL

A Aliança Internacional HIV/Aids, que reúne grupos de caridade e de combate à doença ao redor do mundo, alertou que o custo anual de combate à epidemia de HIV deve alcançar os 35 bilhões de dólares em 2030 se os governos não investirem corretamente em medidas de prevenção.

O grupo afirmou que o vírus, que já infecta cerca de 33,4 milhões de pessoas no mundo, é uma “custosa bomba relógio” para famílias, governos e doadores.

“Para cada duas pessoas que recebem tratamento, cinco outras são contaminadas. A essa taxa, o gasto com HIV vai subir de 13 bilhões de dólares agora para entre 19 bilhões e 35 bilhões de dólares em um espaço de tempo de 20 anos”, disse Alvaro Bermejo, diretor executivo da aliança.

Os dados mais recentes, de 2008, mostram que o número anual de novas infecções de HIV estava em 2,7 milhões, o mesmo de 2007. Em 2001, a taxa era de 3 milhões.

ESPERANÇA

Cientistas divulgaram a criação de um gel vaginal capaz de reduzir em 39% o risco de contrair o vírus HIV durante relações sexuais, conforme informou o Centre for the AIDS Programme of Research in South Africa (CAPRISA).

O microbicida contém 1% de ‘tenofovir’, conhecido antirretroviral utilizado no combate ao vírus responsável pela Aids, e foi testado em mulheres na África do Sul.

Se outros estudos confirmarem a eficiência do gel, a aplicação prolongada pode evitar 500 mil novas infecções pelo HIV na próxima década no país.

O CAPRISA reuniu 889 mulheres com alto risco de contágio em zonas rural e urbana de KwaZulu-Natal. Noventa e oito pessoas foram contaminadas durante o teste, sendo que 38 delas utilizaram o gel. Outras 60 receberam placebos.

ESPERANÇA 2

Em outra iniciativa, cientistas descobriram dois poderosos anticorpos capazes de bloquear, em laboratório, a maioria das cepas conhecidas do vírus da inumodeficiência humana adquirida (HIV), abrindo potencialmente o caminho para uma vacina eficaz contra a Aids.

Até hoje, a busca por uma vacina contra a infecção continua infrutífera, apesar dos grandes esforços da comunidade internacional e dos recursos empregados.

Mas estes dois antígenos, batizados de VRCO1 e VRCO2, parecem muito promissores, pois impedem a infecção de células humanas em mais de 90% das variedades do HIV em circulação, e com uma eficácia sem precedentes.

Encontrar anticorpos capazes de neutralizar cepas de HIV em todo o mundo foi, até agora, muito árduo, já que o vírus muda constantemente as proteínas que recobrem sua superfície para escapar da detecção do sistema imunológico, destacam os autores destes trabalhos.

Esta capacidade de mutação rápida resultou em um grande número de variações do HIV, mas os virologistas puderam detectar alguns pontos na superfície do vírus que permanecem constantes nas cepas, como as que unem os anticorpos VRCO1 e VRCO2.

INVESTIMENTOS BRASILEIROS

Relatório divulgado pela Unaids (Programa das Nações Unidas para HIV/Aids) elogia a forma como o Brasil lida com a Aids, mas também sugere que o país amplie seus investimentos na prevenção da doença. No país existem 630 mil pessoas contaminadas pela Aids.

“O Brasil deveria aumentar os esforços para atingir o objetivo de acesso universal à prevenção do HIV, considerando que menos de 7% do total de gastos com a Aids são destinados à prevenção”, informa o relatório Panorama Unaids 2010.

O documento, que cita dados referentes ao ano de 2008, informa que o Brasil gastou, naquele ano, US$ 623 milhões (cerca de R$ 1,1 bilhão) com seu programa de Aids.

O relatório afirma ainda que, entre 2003 e 2008, um terço dos novos casos de Aids no Brasil foram diagnosticados somente nos últimos estágios da doença.

COMISSÃO

A ONU (Organização das Nações Unidas) criou uma comissão para promover mudanças na comunicação feita para a prevenção da  Aids.

Entre os integrantes, o marqueteiro Nizan Guanaes; o arcebispo Desmond Tutu, ganhador do Prêmio Nobel da Paz; a descobridora do vírus HIV e prêmio Nobel de Medicina Françoise Barré-Sinoussi; os ex-presidentes da França Jacques Chirac e do Chile Michelle Bachelet; o cofundador do Facebook Chris Hughes; e o astro do basquete Magic Johnson.

De acordo com a entidade, o acesso a remédios é essencial, mas uma forte campanha de prevenção é a única forma de frear a epidemia.

COMENTÁRIOS:

Comentários

11 Respostas para “AIDS: 25 milhões de pessoas já morreram e 2,7 milhões são contaminadas a cada ano”
  1. FERNANDO disse:

    O ESCLARECIMENTO ATRAVÉS DA INTERNET É MUITO IMPORTANTE NOTA 10, ESPERO QUE TENHAM MAIS COMENTÁRIOS.

  2. Thiago disse:

    Sei que o post é antigo mas poderia me passar o endereço desse relatório da UNAIDS que fala dos gastos no Brasil. Eu li alguns relatórios deles mas não achei o que fala do Brasil em específico.

  3. guilherme cesar disse:

    I'm here usa there several canpanha about AIDS

  4. yara mariana disse:

    eu achei muito legal,eu estou fazendo um trabalho sobre isso,sobre a AIDS

  5. gustavo disse:

    quantas pessoas em media morrem por ano no brasil por causa da aids

  6. ARLINDA disse:

    MUITO BOM,MAS ESTOU TENTANDO SABER QUANTO O BRASIL gasta com cada paciente com o vírus HIV e não estou tendo nenhuma informação

Comente

Deixe aqui sua opinião...