Pós quarta-feira de cinzas o país começa a funcionar com força total. As férias acabaram, a viagem de última hora para o carnaval o fez gastar além da conta e a lista de material escolar do seu filho já chegou.

O que fazer diante esse choque de realidade? Nós brasileiros, acostumados com o famoso “jeitinho” somos pegos de surpresa e com a corda no pescoço quando o assunto são as finanças pessoais.

Qual seria então a solução para esse problema e para as próximas gerações? Será que se educação financeira fizesse parte da grade curricular do ensino fundamental e médio nosso cenário financeiro doméstico seria outro?

Conversamos com Rogério Nakata, Planejador Financeiro Pessoal e Familiar para saber sua opinião. Confira abaixo e reflita:


1)
Sai mês, entra mês e as contas não saem do vermelho. Quando saber e diagnosticar a necessidade de uma orientação para a vida financeira?

O diagnóstico é bastante simples para saber se uma pessoa precisa de uma orientação financeira. Basta checar somente se suas finanças pessoais estão começando a afetar em grau e gênero a sua vida pessoal e a Qualidade de Vida sua e de sua Família.

Esse seria o 1º. diagnóstico para solicitar a ajuda de um profissional desse segmento, pois temos que ter em mente que se continuarmos a fazer as mesmas coisas da mesma maneira sempre obteremos os mesmos resultados e se quisermos mudar de verdade é importante fazermos algo imediatamente para virarmos o jogo, pois caso a pessoa persista no hábito isso pode levá-la a ficar não só com a conta no vermelho, mas também ao stress, a falta de sono, separação conjugal e estado de incapacidade de lidar com um produto pelo qual a raça humana trabalha 70% de sua vida, o produto chamado “dinheiro”.

2)    Você acha que Educação Financeira deveria fazer parte da grade curricular do brasileiro? Por quê?
Sim, com certeza. A Educação Financeira deveria já há muito tempo fazer parte da grade curricular do brasileiro, pois essa matéria deveria ser ensinada desde a infância até a fase adulta para que as pessoas não tivessem tantos problemas financeiros como recentes pesquisas que apontam que o brasileiro teria que trabalhar 4,8 meses para quitar suas dívidas. Assim como em países de 1º. mundo como o Japão onde a matéria economia doméstica faz parte da grade escolar e os alunos aprendem a valorizar não só centavos e fazer uma poupança, mas também a economizar os recursos naturais como água e energia elétrica.

Nos EUA, no jardim da infância as crianças simulam o dia a dia do mercado de capitais com experimentos lúdicos promovidos pelos professores no intuito de ensinar-lhes como funciona uma bolsa de valores. Para termos certeza se a Educação Financeira é importante na vida das pessoas basta pensarmos que se tivéssemos algum tipo de orientação no passado como estaria nossa vida atualmente ou, se seus pais tivessem aprendido alguma coisa sobre dinheiro na sala de aula você acredita que sua vida estaria um pouco diferente hoje? 

3) Os jovens, ao iniciarem sua carreira profissional devem buscar auxílio para o planejamento financeiro? Empresas hoje em dia já oferecem esse tipo de serviço ao funcionário recém-contratado?
Quanto antes buscarem auxílio para o planejamento financeiro pessoal mais prósperos se tornarão no futuro e mais tranquilos poderão estar se começarem desde cedo a valorizar aquilo que estão começando a ganhar em suas promissoras carreiras, pois não dá para pensar só no hoje, é preciso poupar e investir para preservar o amanhã que está logo ali, mas que as pessoas custam acreditar que um dia vai chegar.

Muitos dizem, mas eu não sei se chego as 75 anos, mas a pergunta correta é: E se chegar como você quer estar? Financeiramente independente ou dependente da ajuda de parentes, amigos ou conhecidos? Questione-se a esse respeito, pois apenas 1% a 3% da população é livre financeiramente.

4) O que fazer quando todas as contas bancárias estão no vermelho e todos os cartões de crédito estão estourados? Qual deve ser o primeiro passo?
Primeiro deixar de se endividar completamente, comprar somente a vista e jamais tentar continuar encaixando as prestações de itens muitas vezes comprados por impulso dentro do seu salário, faça as contas antes, se você, por exemplo, quer comprar algo parcelado que custa R$500,00 guarde R$100,00 por mês e no quinto mês com o dinheiro investido em uma poupança, por exemplo, você terá R$505,02, não é bacana?, sem levar em consideração que você pode pedir um desconto de 3% a 10% sobre o valor ofertado pela loja e comprar um item pelo valor justo e não ter que adquirir um e pagar por dois ao final do carnê.

Digo sempre, não sou contra comprar parcelado mas desde que seja da forma acima. Segundo passo é renegociar essas dívidas trocando-as por uma mais barata sem se descuidar de que nesse momento após o acordo firmado será necessário levar outro estilo de vida que caiba no bolso e não aquele que lhe levou a gastar mais do que ganha.

5) Qual a receita para manter as contas no azul? É possível conquistar e realizar com pouco?
Planejar, planejar e planejar, esse é o segredo. Com a correria do dia a dia somos incentivados a fazer cada vez mais rápido, a decidir rápido e tomar decisões importantes de forma ágil ou seja, a fazer, fazer e fazer. Se por um instante planejássemos MAIS quantas dores de cabeça você acredita que evitaríamos hein? Aquela compra por impulso, o carro em 72 prestações, o imóvel a perder de vista ou aquele título de capitalização oferecido “guela” abaixo.

Somos um povo na verdade de bastante iniciativa e de pouca acabativa por isso mais vale dar um pequeno passo na direção correta e conquistar e realizar pouco a pouco nossos Projetos de Vida do que sair correndo para a direção errada. Lembre-se que as luzes no fim do túnel também podem ser uma locomotiva vindo no sentido contrário. Portanto nunca se descuide de suas finanças pessoais se você tem amor àquilo que ganha com tanto sacrifício.

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Uma Resposta para “Educação Financeira na escola – Funciona?”

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