Casais que sonham formar uma família muitas vezes são surpreendidos pela triste notícia de uma possível infertilidade. No caso dos homens, cerca de 90% das causas são a diminuição da quantidade de espermatozóides e alterações em sua qualidade e forma. Se esse é o seu caso ou o caso de seu parceiro, o primeiro passo, segundo Rodrigo Pagani, andrologista e professor do ICS – Instituto de Ciências da Saúde é fazer uma análise do sêmen. Segundo Pagani, “com a tecnologia e os conhecimentos que dispomos, hoje a análise do sêmen vai muito além do espermograma. Ela engloba uma série de testes que avaliam o potencial de fecundidade dos espermatozóides”.

O que é analisado no exame?
1)Morfologia
A forma dos espermatozóides humanos varia amplamente. A definição de um padrão de normalidade baseia-se na observação da forma dos espermatozóides que conseguiram ultrapassar o colo uterino. “A análise da morfologia é tão importante, quanto a determinação do número de espermatozóides e da sua motilidade. O estudo da morfologia é um dos indicadores da qualidade dos espermatozóides que estão sendo produzidos pelos testículos. Os resultados da morfologia, principalmente quando avaliados pela técnica estrita de Kruger, correlacionam-se com o sucesso da fertilização ‘in vitro’, da inseminação intra-uterina e também com a chance de conseguir a gravidez por via natural”. Para a análise da morfologia, os espermatozóides são submetidos a corantes especiais e examinados no microscópio óptico num aumento de 1000 vezes. O espermatozóide normal apresenta cabeça com formato oval e superfície regular, sem defeitos na peça intermediária ou cauda.

2) Integridade funcional da membrana plasmática dos espermatozóides
Por meio do Teste Hipo-Osmótico (THO) é possível avaliarmos a integridade funcional da membrana plasmática dos espermatozóides e o transporte de água através da mesma.  O exame baseia-se na observação de que espermatozóides cujas membranas estão íntegras absorvem água, quando expostos a uma solução hiposmolar em relação ao meio intracelular e são capazes de manter um gradiente osmótico, enquanto aqueles com membranas lesadas não o fazem. “Neste teste, os espermatozóides com membranas íntegras, e, portanto vivos, exibem um certo ‘inchaço da cauda’, quando colocados em uma solução hiposmolar (150 mOsm), em relação ao meio intracelular. Tais alterações morfológicas podem ser apreciadas à microscopia de contraste de fase. Por outro lado, espermatozóides cujas membranas plasmáticas estão lesadas não apresentam capacidade osmo-reguladora, e, conseqüentemente, não exibem o inchaço da cauda”, explica o  médico, que também é fellow em Infertilidade Masculina e Cirurgia do Aparelho Reprodutivo Masculino pela Baylor College of Medicine em Houston – Texas. Atualmente, o THO tem sido utilizado também como um teste de vitalidade espermática, com a vantagem de não utilizar qualquer corante. O teste também é utilizado para identificar espermatozóides que, embora imóveis, sejam viáveis para as técnicas de injeção intracitoplasmática (ICSI).

3) Presença de Leucócitos no Sêmen
É comum a presença de células redondas no sêmen que podem representar leucócitos, células epiteliais, células prostáticas e células germinativas imaturas. “O aumento do número de leucócitos pode representar uma infecção genital clínica ou sub-clínica, níveis elevados de radicais livres de oxigênio, títulos elevados de anticorpos anti-espermatozóides e função espermática deficiente. Todas estas condições podem ocasionar a infertilidade masculina”, informa Rodrigo Pagani. Daí a importância da determinação do número de leucócitos no sêmen, que pode ser realizada por meio do teste da peroxidase. Este teste identifica e quantifica os neutrófilos polimorfonucleares, que representam a maioria dos leucócitos presentes no sêmen. O teste baseia-se na detecção da peroxidase, enzima presente nos granulócitos polimorfonucleares (PMN), que se coram em marrom quando expostos ao teste (peroxidase-positivos). As células peroxidase-negativas (não-coradas) podem representar células germinativas imaturas (espermátides, espermatócitos e espermatogônias), linfócitos, macrófagos e monócitos.

4) Reação Acrossômica
A reação acrossômica é um teste que avalia o potencial fértil do espermatozóide e deve ser utilizado principalmente naqueles casos onde houve falha em tentativas anteriores de fertilização “in vitro”. “A determinação da reação acrossômica é complexa e pode ser medida laboratorialmente. Os resultados obtidos correlacionam-se com o potencial de fecundidade do espermatozóide. Homens com dificuldades para ter filhos, sem causa aparente, podem apresentar níveis baixos ou mesmo ausência de reação acrossômica, explicando assim, porque os espermatozóides não conseguem fertilizar o óvulo”, diz o professor do Curso de Pós-Graduação em Infertilidade Humana do ICS, Instituto de Ciências da Saúde.
Atendimento à população
O Instituto de Ciências em Saúde está fazendo o recrutamento de casais que apresentam problemas de infertilidade para serem atendidos pelos professores e alunos dos cursos de especialização e extensão em reprodução humana assistida da instituição. O ICS fará uma adaptação dos custos do tratamento, de acordo com a classificação sócio-econômica de cada casal. Para obter mais informações sobre os benefícios oferecidos é preciso telefonar para (11) 5052 1409 e falar com Nany.

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