“Quando senti os nódulos, não levei muito a sério, demorei dois meses para fazer meus exames (mamografia e ecografia) solicitados pela minha médica”, conta Leni dos Santos que descobriu ter câncer de mama aos 26 anos.

Será que a inicial despreocupação de Leni tem explicação?

“O medo da mutilação é o principal vilão da doença”, explica o oncologista clínico Marcelo Oliveira, do Núcleo de Estudos Oncológicos (Neo Saúde). Este aspecto não inclui apenas a mutilação física, mas também a psicológica. A retirada total de uma ou das duas mamas soa incômodo para a mulher, principalmente, na maneira como influenciará sua relação com o sexo oposto.

No caso de Leni, foi recomendada a retirada total das duas mamas. Ela encarou a situação com determinação e não se deixou abalar pela doença. Hoje, vive uma vida normal. “Conheci meu namorado antes da cirurgia reconstrutora, quando ainda usava lenço, ainda sou jovem e tenho muita coisa pela frente”.

O avanço da medicina e da tecnologia que possibilitam a detecção precoce da doença e contribui para o tratamento, também garante a possibilidade da mulher fazer a reconstrução mamária através da prótese de silicone.

Há alguns anos, a cirurgia de reconstrução da mama, realizada em mulheres que tiveram seus seios amputados devido ao câncer era considerada estética, levantando muitas discussões entre médicos, pacientes, autoridades e planos de saúde. “Hoje, toda mulher que teve o seio retirado, se desejar, tem o direito assegurado por lei de reconstituí-lo, incluindo o uso de prótese. Ela não voltará a amamentar, mas irá recuperar sua feminilidade e sua sexualidade”, afirma o cirurgião membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e diretor do Centro de Medicina Integrada, Ruben Penteado.

A cirurgia, porém, causa certa desconfiança e temor em alguns pacientes. “Não há motivos para isto. Se o material for utilizado da forma correta, obedecendo aos critérios médicos, o silicone, em si, não representa ameaça alguma ao organismo”, afirma Penteado. Para não criar falsas expectativas é aconselhável uma boa conversa com o médico antes da cirurgia para saber o que realmente pode ser feito em cada caso.

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