Ter um filho soa como um aspecto natural do ciclo de vida. No entanto, muitos casais enfrentam grande dificuldade em engravidar e acabam frustrados pela não realização de um sonho. Alguns casamentos chegam a ter um fim pela falta de estrutura emocional e de informação quanto às técnicas de reprodução assistida.

A psicóloga Luciana Leis, especializada no atendimento a casais que enfrentam o problema da infertilidade, explica melhor sobre o assunto e as maneiras de atenuar o sofrimento causado pela situação no artigo a seguir. Boa leitura.

A “maratona” emocional dos tratamentos de reprodução assistida

Luciana Leis - Divulgação

Luciana Leis - Divulgação

Quando um casal recebe do médico o diagnóstico de infertilidade e a indicação de tratamento, muitas vezes, não faz a menor idéia do que vem a ser uma técnica de reprodução assistida. Ambos acreditam que, tão logo, iniciem o tratamento, terão a tão almejada criança em seus braços. Porém, a realidade nem sempre é assim…

Para a maioria dos casais, são necessárias várias tentativas de tratamento até a realização do sonho, visto que, a cada tentativa, as chances da técnica dar errado são maiores do que as de dar certo. No entanto, muitas pessoas iniciam o tratamento, acreditando que engravidarão “de primeira”, negando para si próprias a possibilidade do “não”.

Em geral, com o resultado negativo, o tamanho da frustração costuma ser de acordo com o da idealização, sendo bastante dolorido esse processo, até que o casal possa se recompor emocionalmente. Há casais que chegam a abandonar o tratamento ou têm dificuldades para reiniciá-lo, justamente por não desejarem passar por esse sofrimento novamente.

Outra situação bastante freqüente nos tratamentos de reprodução humana assistida é a troca de médico, quando a tentativa de engravidar não dá certo. É necessário haver um responsável – ou um culpado – por esse fracasso, porque, para muitos, é difícil aceitar que tentar algumas vezes pode fazer parte desse processo. Presenciamos, muitas vezes, que a imagem de quase “Deus”, construída pelo casal para a figura do médico, de um momento para o outro, se inverte para a imagem do “Diabo”, que passou a castigá-los.

Muito comum também durante o tratamento é o casal querer logo mudar de técnica, se não obtiver o resultado desejado. Em certos casos, mesmo com a indicação médica para continuarem com o mesmo procedimento, o casal acaba insistindo em realizar “algo mais avançado”. Entretanto, já sabemos que as técnicas de reprodução humana assistida mais simples podem chegar a resultados positivos, e que quem decide o que pode ser melhor para cada caso são os profissionais que  acompanham o casal. Há casais que tentam controlar o que não é controlável, e acabam quase que atropelando o saber do médico.

Tendo em vista os aspectos até agora expostos, percebemos o quanto os casais ficam fragilizados com a vivência do diagnóstico de infertilidade, sendo de extrema importância o suporte psicológico, desde o início do tratamento. O suporte emocional adequado pode auxiliar todo esse processo, tornando-o mais leve e “possível de vivenciar”.

Cada casal tem uma história particular e, assim como existem os que engravidam logo na primeira tentativa, há também os que precisam tentar várias vezes, até o resultado positivo de gravidez, que jamais seria possível sem a persistência e o real enfrentamento dessa situação.

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