Alguns aspectos físicos que fazem parte da rotina de 90% dos profissionais merecem uma atenção especial. Sintomas como fortes dores de cabeça, tonturas, oscilação de humor, insônia, dificuldade de concentração e problemas digestivos podem ir além dos famosos diagnósticos de cefaléia nervosa e gastrite para a chamada Síndrome de Burnout – que traduzido do inglês to burn out significa queimar por completo.

Pesquisas realizadas ao longo do tempo sinalizam que a pessoa que sofre desse mal apresenta tamanha fadiga, tanto física quanto emocional, que chega ao extremo de isolar-se dos demais, após uma sequência de episódios em que se configura comportamento irritadiço e agressivo.

Para Dirce Perssinotti, psicóloga do Centro de Dor do Hospital Nove de Julho, os profissionais mais suscetíveis à Burnout são os que realizam atividades mais expostas ao contato direto com o público e sofrem sua pressão, como médicos, em especial socorristas, professores, repórteres e aqueles que lidam diretamente com a opinião do público, como atendentes em diferentes modalidades.

Muito se especula sobre as experiências emocionais de cada indivíduo, que somadas à pressão do trabalho e dos relacionamentos pode agravar os casos clínicos confirmados da Síndrome de Burnout. Para a psicóloga Rosa Eugênia de Freitas, que já colaborou para o Blog falando sobre o mundo corporativo e as emoções tóxicas, “vários aspectos emocionais interferem, pois como esta síndrome causa um sofrimento psíquico intenso com relação ao trabalho, a falta de estímulo, a pressão e competição geram medo, pensamentos negativos, frustração, aflição, angústia, depressão ou sintomas depressivos.”

Diante de tantas características e situações que nos parecem próximas e comuns na rotina profissional uma questão em relação à patologia merece atenção especial: Burnout está relacionada com a exaustão física e mental devido à ausência de reconhecimento do trabalho ou refere-se a um dos tipos de depressão clínica?

Ouvimos o Dr. Catulo Cesar Magalhães, médico psiquiatra membro do corpo cínico do Centro de Dor do Hospital Nove de Julho que nos diz que entre os fatores aparentemente associados ao desenvolvimento da Síndrome de Burnout está a pouca autonomia no desempenho profissional, problemas de relacionamento com as chefias, problemas de relacionamento com colegas ou clientes, conflito entre trabalho e família, sentimento de desqualificação e falta de cooperação da equipe.

Magalhães enfatiza “acredito que essa Síndrome de Burnout seria a consequência mais depressiva do estresse, desencadeado pelo trabalho. Já os autores defendem a Síndrome de Burnout como sendo diferente do estresse. Eles alegam que esta doença envolve atitudes e condutas negativas com relação aos usuários, clientes, organização e trabalho, enquanto o estresse apareceria mais como um esgotamento pessoal com interferência na vida do sujeito e não necessariamente na sua relação com o trabalho.”

Ao ser questionado sobre os modelos de gestão atuais o psiquiatra é enfático ao afirmar que a dedicação exagerada à atividade profissional é uma característica marcante de Burnout, mas não a única. O desejo de ser o melhor e sempre demonstrar alto grau de desempenho é outra fase importante da síndrome. “O portador de Burnout mede a auto-estima pela capacidade de realização e sucesso profissional. O que tem início com satisfação e prazer, termina quando esse desempenho não é reconhecido. Nesse estágio – necessidade de se afirmar – o desejo de realização profissional se transforma em obstinação e compulsão.”

E você? Conhece alguém em seu ambiente de trabalho que apresente tais sintomas? Em sua opinião o que precisa ser mudando no cotidiano profissional para que males clínicos como esse sejam cada vez menores? Comente

COMENTÁRIOS:

Comentários

Uma Resposta para “Um simples cansaço precisa ser levado a sério – Conheça a Síndrome de Burnout”
  1. CLAUDIA GIORDANO disse:

    HOJE SEI QUE SOFRO DA SINDROME DE BORNOUT, POIS VIVI 10 ANOS EM UMA INTITUIÇÃO EM QUE EU TINHA QUE SER AMELHOR, POREM AO FINAL NÃO TINHA MAIS ESTIMULO E NEM RECONHECIMENTO, QUANDO FIQUEI DOENTE A MINHA CHEFIA ME TROCOU DE CARGO E CAI EM DEPRESSÃO, LOGO APÓS FU DEMITIDA E HOJE APOS UM ANO ESTOU RETORNANDO AO MERCADO, POREM NÃO ME VEJO MAIS A MESMA PROFISSIONAL, SINTO MEDO, NÃO TENHO MAIS A MESMA CONCENTRAÇÃO, NÃO TENHO VONTADE NENHUMA DE ME ARRUMAR PARA O TRABALHO E NEM PARA A VIDA SOCIAL, COISAS SIMPLES COMO UM JANTAR EM FAMILIA, PASSEI A ME AFASTAR DO SER HUMANO. QUAL A CURA? POIS NÃO CONHEÇO NENHUM ESPECIALISTA QUE ACREDITE NESTA SINDROME, E PARA O INSS NÃO É MOTIVO DE AFASTAMENTO DO TRABALHO, O QUE FAZER?

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